sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O que vale a pena e o que não vale ou notas para aprender a viver melhor #1

_______________________________________________________ Estou cansada de ser a "stressada" que se preocupa demais com tudo. Afinal de contas, vale a pena stressar? Valerá mesmo a pena não dormir para fazer o meu trabalho e o dos outros, passar dias e noites a fio a corrigir e reescrever, escrever isto e aquilo. Não valerá mais a pena fumar um cigarrinho, rir-me e ser simpática e leve? Vale a pena andar sempre preocupada, para à primeira oportunidade levar com a crítica de que sou stressada? Vale a pena ainda ficar triste e extremamente desiludida com as pessoas? Não vale, não. Não vale a pena nada disto. Vale a pena é a família, o amor e a vida com aqueles que apreciam o esforço que fazemos. Não vale a pena encolher a alma de desilusão ou ela mirra num instante. Vale a pena, sim, aprender com a experiência e, para a próxima vez que precisares da minha ajuda, farei os possíveis para me lembrar da tua crítica e então irei relaxar, dormir de noite, gozar o fim-de-semana como toda a gente simpática que aprecias e que te entende bem melhor que eu.

sábado, 22 de outubro de 2011

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Da beleza e dos monstros

Quando era pequena e custava a adormecer, tinha como estratégia imaginar que chegava à escola e todas as secretárias tinham uma mala imensa de marcadores e blocos de folhas. Os meus melhores sonhos passavam pela possibilidade de pintar folhas brancas sem limites de cor. Hoje dei por mim a querer adormecer 1 minuto acordada durante o dia e os marcadores ou as folhas já pouco me dizem. Chego a casa e penso nos meus marcadores de hoje e distraio-me a pensar em recortes de coisas que me fazem ausentar do cansaço. É um exercício tão reconfortante como moldar as nuvens à semelhança de carros, animais e gente. Os meus marcadores de hoje são recortes da memória que se implantaram sem dar conta. Exemplos: - a cena do "in the mood for love", do segredo sussurrado à árvore; - uma cena de um outro filme do qual não me lembro nada, apenas me lembro que a actriz muda faz um gesto de mãos em murro contra o peito, num deslizar que abre as mãos e que imita o som do mar. Nunca vi ninguém com tanta sensibilidade para dizer o mar, como aquela pessoa que não fala. Pois o mar é mesmo um murro que se abre em dedos que se espreguiçam, num misto de batida e sussurar arrastado ao deslizar a mão no tecido; - A imagem do mar quando mergulho e de como se adequa tão bem a frase da Sophia Melo Breyner: um lugar onde sob cada coisa bela paira um monstro; - O meu sofá da casa antiga em Armamar, encostado à janela que cobria a parede toda e de onde eu de joelhos via o pinhal ao fundo e a casa da moleira e onde via derreter as imagens nítidas com o escorrer da chuva. Da janela seguia os carros na estrada e se desapareciam na curva, imaginava que os fazia sair do outro lado onde já os via; - A minha avó e a imagem do velho ritual de antes de se deitar espreitar debaixo da cama, para ver se alguém estava escondido. Ainda hoje quando espreito debaixo da cama à procura de sapatos por momentos penso se vou apanhar alguém desprevenido que me fará um sinal de "chiuuu, não digas nada"; - Um dos meus gatos no colo a dormir com um quase sorriso; - Os abraços da Francisquinha que se encaixam em mim sem qualquer dúvida; - O sinal do dedo do Simão que sei que fui eu que o pintei e o croquete de Simão enrolado na toalha; - O riso da minha mãe quando contagia o meu pai e se pega a todos; - As músicas do Chico Buarque, às escuras ou às claras; ou no duche; a jantar; - A música que passa em playlist nos meus momentos obsessivos quando no carro ouço em modo repeat.