quarta-feira, 30 de abril de 2014

Prometeu






Olhar Prometeu contra o céu azul faz parte da minha felicidade de estar aqui.
É para ele que olho a cada degrau da subida.
Ao meu lado falam, restos do almoço, pequenas conversas de café.
E eu ouço o caminho distraída, formulando a minha melhor expressão atenta, para que não suspeitem que é a ele que vejo.

E tudo se transforma numa grande metáfora.
Os degraus que subo um a um.
As vozes que silencio e o recorte daquela figura contra o céu.
Presa, mas sem perder o fogo que da mão liberta não sai.

Interessa-me pouco a conotação do fogo com a sabedoria roubada a Zeus e entregue aos homens.
Para mim aquele fogo é muito mais do que isso.
É a centelha de vida que encontro no mais escuro de mim.
É a esperança que Pandora curiosa conseguiu prender na caixa.
Para que no meio de tanta coisa reles que me atiram, haja sempre uma alegria prometida.

Prometeu, promete-me isso todos os dias

O Prometeu é ponto de encontro para muitos.
Para mim também.
Comigo mesma.

domingo, 27 de abril de 2014

Bach com swing

Nunca gostei de Bach, o que parece ser um crime hediondo para quem gosta de música.
Amigos meus, incrédulos, questionam-me sempre quais os motivos para não gostar.
Motivo algum racional, ou por outra não racionalizei sobre o assunto. Talvez o ache muito bonitinho, a certa altura da música julgo estar num elevador ou ao telefone à espera que me atendam. Talvez as vibrações musicais não estejam na mesma frequência das minhas vibrações. Talvez existam tons que façam ressonância no coração de alguns e outros que passem sem alterar a frequência cardíaca.

Sim, se calhar é a forma mais correcta que tenho para explicar o que gosto e não gosto. O meu coração acelera face ao que gosta, como o cãozinho que avista o dono e bate a cauda de entusiasmo. Ponham-me em frente a Bach e o meu coração pensa em tirar uma sesta. O que hei-de fazer? É fisiológico.

Bem, esta versão do Bach, já me faz levantar a orelha e bater alguns solos cardíacos. Mas foi preciso dar um swing à coisa.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Crime e castigo



Rodion Romanovitch Raskolnikov, ou Ródia traz no nome (soube-o depois) um indício já 

que o seu apelido significa cisma