terça-feira, 8 de dezembro de 2009

FCT ou o estranho caso do Financiamento da Ciência do Talvez

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Um dia virá
Num jornal sensacionalista
Uma grande cobertura
Ao caso do cientista
À beira da loucura

Ninguém saberá
Explicar o sucedido
Como a pobre criatura
No desespero do momento
Terá assim desistido
De implorar financiamento

Os colegas de joelhos
Apelam da decisão
Olham-no de olhos vermelhos
E chamam-no à razão
Mas já nada o traz de volta
À escrita do projecto
Lá dentro sente a revolta
E manda a ciência pró tecto

Mudou então de vida
Farto da Ciência do Talvez
E no meio da avenida
Instalou-se de uma vez
Lado a lado com o pobre
Compincha do sem-abrigo
Pedincha de forma mais nobre
Encontra um novo sentido

E assim nessa insistência
De vagabundo orgulhoso
Resgata a sua ciência
Do terreno pantanoso
Para um lugar diferente
Sem pedintes disfarçados
De cientistas eminentes
Em projectos embrulhados

Um dia virá então
O cientista corajoso
Que indiferente à multidão
Virá assumir o seu nojo
À ciência prostituida
Que vende o corpo ao projecto
Não interessa se importante
Não interessa se verdade
A ciência é do pedante
Que mais de si faz alarde


E eu ...ai suspiro profundo
Ando também sem pudor
A convencer meio mundo
Da minha ciência maior

sábado, 14 de novembro de 2009

Paradoxo

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A crença de que vivemos todos os dias
O dia gasto a lavar a roupa
A sombra do fim (a)parece distante
Enquanto lavamos a roupa
E cremos que vivemos todos os dias

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Desejo

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Que surpresas há neste pôr-de-sol?
Quantas vezes o dia nasceu e morreu sempre o mesmo?
Quantas vezes o inesperado precisa de o ser para se tornar certo?
O que é o desejo, senão a vontade da primeira vez?