terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Resoluções de ano novo

Ora aí vem o habitual balanço maníaco-depressivo sobre os objectivos atingidos e por atingir.

Coisas boas de 2011:
1) Aprendi a gostar de ginástica
Se alguém me dissesse em 2010 que eu estaria a correr num tapete e a gostar, iria pensar que se tratava de uma previsão furada da Maya. Mas é verdade, corro cada vez mais tempo e com mais intensidade e gosto. E já me custa não ir à ginástica de manhã.
2) Missões profissionais cumpridas
Até ao verão parecia uma lunática que só trabalhava. Consegui cumprir todas as tarefas e fui de férias com aquela sensação de invencibilidade maravilhosa
3) Saúde da família
O mais importante. Altos e baixos, mas os baixos superados.

Coisas más de 2011:
1) Trabalho em excesso
2) Pouco lazer
3) Pouco descanso
4) Velhos hábitos a regressarem

Em 2012:
1) Mudar. Não é sempre esse o nosso desejo?
2) Continuar o exercício.
3) Viajar mais
4) Aprender mais
5) Ler mais
6) Rir mais
7) Receber mais amigos em casa
8) Não trabalhar aos fins de semana ou faze-lo muito excepcionalmente
9) Escrever um livro

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Partir

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Apetece-me partir tudo

Poderia começar assim
Para dizer que nada me move
Nas vossas vidas de relógio
E de almoço aquecido
Nada me envolve
Nos vossos braços solidários
Nos vossos conselhos sábios e
Opiniões fundamentadas

Nenhuma luz de pinheiro sintético
Me faz qualquer espécie de sombra
Nenhum presente embrulhado
Me estreita a distância que sinto

Pois que me apetece partir tudo
Com a mesma veemência
Com que aquecem as vossas refeições
E produzem as vossas receitas
Como quem cozinha um futuro

Apetece-me partir tudo
Rasgar os likes e os tags
Desprezar os comentários
E pintar de negro o mural
Em que se inventam

Apetece-me contar a verdade
A todos vocês que pensam que são
As notícias que divulgam
Explicar-vos com condescendência
Que vocês não são o mural
Onde sabem postar coisas inteligentes, que julgam que vos definem


Apetece-me partir tudo
Ou fazer uma rima vulgar, que vos cuspa aos ouvidos:
“Tu és parte de todos aqueles que são capazes de ajudar uma criança no Burundi
E desprezar o problema ao pé de ti”


Vocês são todos aqueles que contribuem para apoiar causas assépticas e distantes
Mas que não se envolvem em situações próximas que vos possam macular a alvura

O vosso coração e apoio são condicionados pela distância:
Ao longe são bondosas almas caridosas universais
Ao lado são resguardados seres individuais


São os sensatos, equilibrados e de futuro
Que não levantam o nariz do espelho
A não ser para a conversa de café

Vocês são ainda todos aqueles
que me despertam talvez o único desejo que me anima
Esta irresistível vontade
De partir

Depressão e trabalho

Não te acontece só a ti...
Um estudo de pesquisadores do King´s College London, no Reino Unido, revelou que o stresse no trabalho causa depressão até mesmo àqueles que não têm nenhum histórico de desordem psiquiátrica. Além disso, constatou-se que a depressão pode ocorrer independentemente da personalidade do indivíduo, ou de sua posição socioeconómica. A pesquisa, divulgada em agosto do ano passado, foi realizada junto a mil homens e mulheres. Ela mostrou que em 45% dos novos casos de depressão e ansiedade entre os profissionais mais jovens a causa era o estresse. Os resultados revelaram ainda que 14% das mulheres e 10% dos homens registraram o primeiro episódio de depressão ou ansiedade aos 32 anos.
Causas da depressão:
"Engolir sapos, não reagir a eventuais abusos, não conseguir impor seu ponto de vista, não estabelecer limites, não falar o que sente, alta expectativa que nunca é atendida, falta de reconhecimento, frustrações constantes. São situações insuportaveis que agravam, aos poucos, o mundo emocional da pessoa. O excesso de trabalho, por exemplo, causa sensação de fracasso. Contornar a depressão irá depender de como a pessoa identifica o problema e busca uma solução"

As soluções:
Reconhecer o problema. Se impossível de solucionar nas actuais circunstâncias, mudar de emprego, recomeçar e construir um futuro diferente

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Playing on my head's radio #6


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De lábios agrafados tento romper o autismo para pedir um café
Mas o que articulo é uma exalação branca como se fumasse o silêncio
A torre cai e eu falo nuvens brancas ao frio.
A torre cai e sob o rugir da queda cubro o meu próprio tremor.
Olho em volta e ninguém vê.
Ninguém, porque cada um
"Cada um tem que tratar das suas nódoas negras sentimentais"
O prédio cai, calam-se e eu calo.
Cantas dentro da minha cabeça:
"Falar-te da minha solidão"
Olho em volta e ninguém.
Falar-te é soprar uma nuvem branca
A torre cai enquanto eu
“Eu sei que tu compreendes bem”

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Bonjour Tristesse






Bonjour Tristesse




Este edíficio em Berlim é da autoria do nosso afamado Siza Vieira e é incontornável numa visita à cidade. Ficou conhecido pelo famoso graffiti que um morador em protesto escreveu no topo do edifício: Bonjour tristesse.
E assim é a arte urbana. Surge com alguém que num momento expressa o que sente e acerta em cheio.
Este edifício, por muitas qualidades arquitectonicas que possua e que me abstenho de comentar, é de facto a personificação da tristeza. O seu tom plúmbeo e forma como ondeia entre edifícios, numa esquina que não é, mas que escorre arredondada, é a saudação ao dia mais frio de inverno.
Este edifício faz-me sentir frio e medo e vontade de chorar. E possuo imensa compaixão pelo morador que se pendurou para gritar aquilo que era indizível.
Este edifício sou eu, hoje, a tentar prevalecer entre outros, na curva de uma fuga, na tentativa de manter a verticalidade.

Oxalá consiga resistir assim, vertical ainda que só cinza e sombra