segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Bonjour Tristesse




Este edíficio em Berlim é da autoria do nosso afamado Siza Vieira e é incontornável numa visita à cidade. Ficou conhecido pelo famoso graffiti que um morador em protesto escreveu no topo do edifício: Bonjour tristesse.
E assim é a arte urbana. Surge com alguém que num momento expressa o que sente e acerta em cheio.
Este edifício, por muitas qualidades arquitectonicas que possua e que me abstenho de comentar, é de facto a personificação da tristeza. O seu tom plúmbeo e forma como ondeia entre edifícios, numa esquina que não é, mas que escorre arredondada, é a saudação ao dia mais frio de inverno.
Este edifício faz-me sentir frio e medo e vontade de chorar. E possuo imensa compaixão pelo morador que se pendurou para gritar aquilo que era indizível.
Este edifício sou eu, hoje, a tentar prevalecer entre outros, na curva de uma fuga, na tentativa de manter a verticalidade.

Oxalá consiga resistir assim, vertical ainda que só cinza e sombra



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