terça-feira, 4 de março de 2014

Como se desapaixonar




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A psicologia cognitiva narrativa foi para mim uma descoberta e é uma sobrevivência. Entrei nela aos poucos primeiro pela mão do Manuel Rosas que muito me ajudou guiando a minha narrativa. E depois por sua sugestão comecei a ler sobre o assunto num livro de Oscar Gonçalves.
Descobri então que alterando o meu discurso poderia alterar a minha disposição. Verbalizando coisas que iam contra a minha voz interior auto-destrutiva, conseguia alterar essa voz. Fazê-la dizer outras coisas, nas quais inicialmente não acreditava, mas que passava a acreditar perante tanta repetição e insistência. Como se à custa de tanta repetição o repetido se tornasse o repetidor.
Desde então dificilmente digo frases como "não consigo" ou "não sou capaz" e se me surpreendo a fazê-lo, volto ã reprogramação cerrada.

Quando se está apaixonado, o alheamento do contexto diário acontece com regularidade. A pessoa constrói narrativas que são realidades alternativas onde parece ser mais prazeiroso viver.
Esta aventura do cérebro é uma «loucura» induzida pela química cerebral guiada pelo sistema límbico e capaz de transtornar a pessoa apaixonada. Quando ocorre a separação do ente amado, essa
pessoa procura, por vezes, recompensar-se em viver o dia-a-dia de forma fantasiosa, assumindo por vezes narrativas substitutas da presença da pessoa.

Acredito ser possível desapaixonarmos-nos narrativamente. Com disciplina e um discurso alinhado com a realidade é possível treinar o cérebro para desistir de alguém.
Um pouco instintivamente todos sabemos o que fazer. Algumas pessoas resolvem focar-se nos defeitos da pessoa. Lembrar os aspectos desagradáveis e repeti-los muitas vezes. Por cada saudade ou recaída toca a pensar nos dentes amarelos, ou na ruga no canto do olho, ou na palavra amarga
colocada na frase de que não se gostou. É por isso que muita gente fala mal de quem amou.... É por isso que à Elis neste maravilhoso "atrás da porta" dá para maldizer o lar, sujar o nome, humilhar. Adorando pelo avesso.

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