domingo, 27 de abril de 2014

Bach com swing

Nunca gostei de Bach, o que parece ser um crime hediondo para quem gosta de música.
Amigos meus, incrédulos, questionam-me sempre quais os motivos para não gostar.
Motivo algum racional, ou por outra não racionalizei sobre o assunto. Talvez o ache muito bonitinho, a certa altura da música julgo estar num elevador ou ao telefone à espera que me atendam. Talvez as vibrações musicais não estejam na mesma frequência das minhas vibrações. Talvez existam tons que façam ressonância no coração de alguns e outros que passem sem alterar a frequência cardíaca.

Sim, se calhar é a forma mais correcta que tenho para explicar o que gosto e não gosto. O meu coração acelera face ao que gosta, como o cãozinho que avista o dono e bate a cauda de entusiasmo. Ponham-me em frente a Bach e o meu coração pensa em tirar uma sesta. O que hei-de fazer? É fisiológico.

Bem, esta versão do Bach, já me faz levantar a orelha e bater alguns solos cardíacos. Mas foi preciso dar um swing à coisa.

2 comentários:

Anónimo disse...

Coitados dos seus amigos, ó Dona Marlene, que ignorância tão grande. Será que os seus amigos não sabem que é normalíssimo alguém não gostar de lagosta, leitão, ou sardinhas? E que o mesmo se passa nas artes? Há escritores de renome que renegam Joyce ou Shakespeare, e que entre os músicos de alta gama também o mesmo acontece, a mesma indiferença ao Mozart e ao Bach, e a preferência por outros.
Dona Marlene, não ligue a isso. Aliás, não há forma alguma de provar que Bach é superior a Ravel. E, o diz que sim, que é bom, que dizem que é dos maiores, oh, isso não passa de mitologia barata.
Fique descansada que não há nada de errado em não apreciar especialmente Bach.
Eu gosto bastante desta. Aposto que não vai gostar, mas pronto, é só para o caso de lhe ter passado ao lado.

https://www.youtube.com/watch?v=FUPx42UmSng

Luis Queque.

M. disse...

Olá Luís nata (que isto das dietas impõe-se reduzir ao conteúdo calórico e o queque tem muita gordura):

Pois claro que se pode gostar de sardinha e lagosta e de tripas e caviar. O que se passa é que Bach é mais ou menos consensual na música clássica. E por muito que respeitemos os gostos musicais dos nossos amigos, quando os admiramos, queremos que eles gostem de coisas que nós achamos que eles (por serem eles, a quem conhecemos e com quem partilhamos tanta coisa) deviam gostar.

Eu por exemplo que adoro de paixão o Jorge Palma, tinha uma amiga com muitas afinidades musicais comigo que não gostava do Jorge Palma. Quase todas as semanas eu obrigava-a a ouvir uma música dele e dizia...oh Paula tu dizes que não gostas porque ainda não ouviste esta....e ela ria-se percebendo que eu nunca iria desistir de partilhar com ela mais esse gosto. Não quer dizer que eu pretenda mudar o gosto de alguém...quer dizer que eu admiro tanto alguém que quero partilhar cada vez mais gostos em comum com essa pessoa.
Percebes a diferença ó Luís morangos sem açucar?