quinta-feira, 29 de dezembro de 2016
Ao cuidado de
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Hoje tive uma conversa inesperada.
Alguém, que não conheço bem e que não me conhece bem, fez de mim confidente.
Ela confessou-me que se sentia feliz como nunca.
Não sei nada sobre ela e, no entanto, comoveu-se diante de mim e confessou o desejo de fugir daqui para um outro lugar.
Não sei nada sobre ela e, no entanto, falou-me sobre o amor que sente por ele. A mim, que nem sequer sei quem ele é.
Falou-me sobre o desejo de ter um filho. E do futuro, e de como não quer adiar o futuro, que sabe que terá.
Terminou com um abraço repentino, mesmo antes que eu conseguisse processar tudo isto que me sucede.
Sem perceber bem, porque é que me surgem estes episódios.
De onde vêem estas pessoas que se atravessam na minha vida e me tocam de algum modo.
Não lhes entendo o sentido imediato, mas fico com a sensação de que têm um propósito maior.
Volto sempre à recorrente ideia dos sinais.
(Signos dizia ela)
Eu lembro-me de pessoas com quem ri e chorei e questiono-me, se no recanto escuro do seu sono, se lembram disso também.
Eu rebusco a memória e penso, fui assim tão má? fiz assim tão mal? Sou assim tão horrível e infame?
Sei que não fui, mas talvez nunca tenha sido nada, ou decerto lembrar-se-iam.
Meus senhores, eu não sigo a cartilha da amizade.
Desapareço amiúde. Fico muda por longos períodos.
Não tenho facebook, nem posto ou faço likes nas vossas vidas.
Ainda assim, não me passam as pessoas que larguei, ou me largaram.
Ouço-lhes o riso e o choro. Penso se pensam em mim, como eu penso nelas.
Penso se as fiz como eram, ou se eram mesmo assim e se fizeram outras, que desconheço.
Talvez eu apenas lhes tenha passado. Como quem consegue finalmente livrar-se de uma maleita insistente.
Talvez não leiam mais o que eu escrevo. Talvez não queiram mesmo saber.
Talvez tenham sido sempre, tão estranhas quanto esta estranha, que me confiou o choro e o riso.
Ainda assim
Estas palavras são
A/C para vocês
porque vocês não me passam
e recidivo com frequência
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