terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Fechado e estanque


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Por vezes sobra-me um cansaço da vida que penso ter vivido mais do que os meus anos contam.
Dói-me o corpo e dói-me a existência. Pior do que isso dói-me o consentimento com que aceito os meus dias.
Esta sensação de fisgada em membros que  não possuo, já nem se trata de uma saudade, apenas.
Trata-se de uma resignação magoada que me zumbe ao ouvido num estribilho:
De ser eu e apenas eu,
sempre eu eu e eu e eu e eu.
Do eu
Doeu.



sábado, 11 de fevereiro de 2012

A minha insónia que a pressinto soa mais ou menos assim...

                                                                       
 ou assim


 

tenho que confessar que gosto deste som

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Terminei! Yeahhh


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Estou claramente a escrever para o vazio.
Ninguém me ouve, ninguém lê, ninguém.
Mesmo assim deixo a notícia a mim mesma: Terminei!
Para que um dia que esteja à beira de uma montanha imensa, saiba que já as escalei grandes. E saí do lado de lá da inclinação, intacta para voltar a descer.

Muitas noites sem dormir e agora aquela vaga sensação de dever cumprido, e depois do sono e da ginástica começa tudo de novo. Nova tarefa. Novo prazo. Novas noites e dias à volta do mesmo. E a felicidade de ter o tempo por minha conta e de não aturar ninguém a não ser a mim mesma.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Estranhamento

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Por vezes, a sensação de que não pertencemos a lado nenhum e de que somos estranhos ao mundo deve-se apenas ao facto de termos estranhamento.
Alguém um dia me disse que era isso que eu tinha.

Estranhamento: característica intraduzível e que consiste numa visão única ou forma singular de ver e apreender o mundo e aquilo que o constitui, visão semelhante à da literatura e a arte que alargam o óbvio, porque desafiam e transformam as idéias pré-concebidas sobre o mundo e sobre as próprias formas da Arte.

Dito assim, quase parece coisa boa.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Back to wasteland



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Refugio-me na ilha do desperdício onde o mundo corre pela janela como se fosse a paisagem a fugir de mim numa viagem de comboio nonstop. Vou com destino à wasteland. Comprei o bilhete, mas olho para fora e a vontade é mandar o bilhete às urtigas e sair no apeadeiro daquela esplanada onde se lê livros e ouve o mar.
Contamino ainda mais a vontade a pensar que enquanto eu vou e vou solitária, os outros são pelas paragens várias quem sabe viver. Os outros não me deveriam importar. Pensa que os outros não importam.
O que importa é que a wasteland tem um propósito. No fim da linha está mais um traço da linha maior que iniciaste. Pensa apenas nisso. Os outros devem ser apenas, meros adornos que figuram do lado de lá da janela, a quem não deves contas de nada. A única pessoa a quem queres provar que chegas lá és tu. Tu, a responsável por todo o teu rumo.

Volto a focar-me na wasteland, no comboio, na viagem e no destino final a que me propus. No próximo fim-de-semana quero estar do outro lado a ver o mar. No próximo fim-de-semana wasteland será worthland.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Crescer à sombra

Li numa entrevista da Ana Luísa Amaral uma coisa com a qual concordo plenamente. Nunca se escreve quando se está feliz ou em clima de romance. Sim, pode-se escrever com obsessão de uma paixão, mas aí o que se escreve é excessivo e não necessário.
Saramago também dizia que se cresce mais à sombra.
E eu acredito nisso. Não se trata de preconceito, mas é evidente que uma mulher que seja: linda; popular na escola; que cresça apreciada; que seja alvo de paixões e que viva num romance ...enfim percurso de vida de novela, nunca se vai sentar à mesa de um café e desatar a escrever no guardanapo. Provavelmente nunca estará no café sozinha, nem terá essa oportunidade.
Não quero com isto dizer que quem escreve é feio e infeliz. Mas que cresceu e percorreu caminhos de sombra e que carrega consigo uma ou outra cicatriz dessa viagem, ai isso não tenho dúvidas

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012