quarta-feira, 1 de maio de 2013
Necessidade de expressão
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Após um silêncio continuado tenho necessidade de vir aqui como num exercício de dedos, apenas para ver o que sai.
Estou tão oposta ao que sou que nem sei como seria se ainda posta no mesmo lugar.
Venho aqui experimentar a voz.
Como quem acorda mudo e espanta o silêncio da noite, com tosse para aclarar o tom.
A palavra adormecida nos dedos parados é a minha rouquidão de hoje. Espanto-a em dois ou três ruídos roucos de voz pouco aquecida.
Se queres saber de mim, prossigo vivendo. As minhas células respiram de um modo idêntico.
Como e durmo, com a disciplina ou a lentidão de quem vive o quotidiano.
Sempre achei graça ao quotidiano. Essa palavra que explica um dia rolante...que acaba e inicia como o mesmo vigor.
O Chico Buarque tem uma música sobre isso. Como sobre quase tudo que eu penso e não sei dizer, ele pensa e sabe cantar:
Todo o dia ela faz tudo sempre igual
Me sacode às 6h da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã
Todo o dia trabalho. Não leio nada e questiono-me se o cérebro se alimenta apenas do chocolate que devoro nas noites de sofreguidão.
Será que acumulei dor que chegue para dispor da minha sombra?
Será que eu sou alguma coisa do que me lembro ser?....ou será que somos a cada momento.
Não sei que digo. Treino dizer, apenas por medo de ficar afónica de opinião.
Penso no que estarás a fazer.
Continuo a odiar visceralmente o facebook. Uso-o com a desfaçatez de quem quer fazer parte desse todo. Distribuo gostos à sorte como quem semeia amizades de estufa. odeio muita coisa, mas não há lá nenhum botão para isso.
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