domingo, 14 de julho de 2013

To whom it may concern


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Por mais romântica e motivadora que possa ser a ideia de uma alma inquilina da matéria, a morte é mesmo a última morada. The final destination.
Por aqui morrem pessoas e essa morte é anunciada.
O sino a rebate lembra-nos constantemente a fragilidade da matéria. Ouço-o agora e sei que mais uma alma está sem abrigo.
Na pastelaria local, coabitam cartazes de zumba fitness e obituários. Tudo isso sobre o apaziguador cheiro a café e pão fresco.

Nas cidades somos privados de más notícias. Vivemos numa estufa onde de forma asséptica afastamos o olhar da miséria, da doença e da morte. Ouvimos a sirene da ambulância e sentimos conforto ao pensar que as emergências salvam vidas. Adiamos o fim e o confronto com o tempo escasso que nos resta. Nenhum rebate sonoro nos esfrega na cara a morte dos outros e ficamos em choque com a morte dos nossos.

Talvez seja benéfica esta banalização do fim. Esta consciência calma de que no mesmo espaço onde saboreamos uma nata, sabemos de alguém que acabou. Esta quase maturidade de distinguir no toque do sino, o bater das horas, o chamar à missa e a despedida de uma pessoa.

Mais uma alma sem abrigo significa sempre mais a urgência de vivermos mais ainda.
Sinto-me um ser simbiótico cuja vontade de viver incrementa em função do sino a rebate.
Como se de um alarme se tratasse que dissesse: acorda, estás atrasada.

Por isso não posso desperdiçar a oportunidade de dar à alma substância que a alimente por toda a eternidade. E para que isso aconteça é preciso ouvir a vontade e silenciar os preconceitos, a culpa e a voz castradora que nos ata os passos.

Por isso não podes desperdiçar a oportunidade de dar à alma substância que a alimente por toda a eternidade. E para que isso aconteça precisas de ouvir a vontade e silenciar os preconceitos, a culpa e a voz castradora que nos ata os passos.

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