sábado, 19 de julho de 2014

Os festivais com ou sem música




E por falar em festas e em figuração de personagens principais, vinha a ouvir na antena 3 mais uma dessas opiniões inflamadas sobre os festivais de música.
Dizia o locutor indignado que os festivais estavam a perder a personalidade e que a música era secundária.
Como pretenso conhecedor do verdadeiro festival de música o locutor ofendia-se com pessoas que estacionavam junto a um palco durante 3 dias e que não escolhiam o que ouviam. Revoltava-se ainda com as meninas e os looks festival e os telemóveis e todos os acessórios que enfeitam a festa.
Dizia que a música já não era a personagem central do festival.

Oh bebé inocente querido apresentador. Apeteceu-me ligar-te e com uma voz carinhosa dizer-te: bem-vindo ao mundo!

A eterna utopia



Lá está ela a pensar que é possível perseguir o impossível

Perguntavam-lhe e tu?
E ela pensava como nunca pensou nisso
Nunca idealizou um vestido, muito menos uma festa
Nunca sonhou com fogo de artifício ou com bolo
Nem sequer com uma casa ou com crianças à volta da mesa
Apenas e sempre sonhou com essa coisa antiquada de querer encontrar o amor
o grande, o absoluto e cheio de certezas
que nunca seria apenas o figurante dum dia festivo

Perguntavam-lhe e tu?
Pois não lhe servem vestidos brancos
Nunca os quis
Sempre quis o mais difícil
Um amor que sirva
de segunda pele






quinta-feira, 17 de julho de 2014

Meu herói



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quinta-feira, 3 de julho de 2014

Uma espécie de igualdade




Hoje nas minhas viagens inter-cidades ouvi na rádio o relato de um professor da Chamusca que escreveu um livro chamado "Atitudes perante a morte".
Numa reflexão muito interessante, explicou o autor do livro que o cemitério da Chamusca era a imagem especular daquela aldeia, porque a morte do cemitério é obra dos vivos que a visitam.
E assim na Chamusca há uma estrada principal que corta a aldeia a direito onde estão as casas dos senhores mais ricos. Nas ruas laterais a essa via principal está a classe média e média-alta. E finalmente nas encostas do monte, já nas raias da aldeia estão os mais pobres. O cemitério da terra segue a mesma estrutura, com uma via principal de jazigos das famílias abastadas, campas laterais de todos aqueles que têm dinheiro para uma última habitação condigna e, atrás da capela, onde pouca gente vai e que pouca gente vê, as campas comuns, dos que pouco tinham e com nada partem.

Lembrei-me de imediato de um quadro do Museu d'Orsay de um pintor que me era desconhecido, mas que me impressionou muito: "egalité devant la mort" de William Bouguereau.

E percebo um pouco dessa paz que atribuem à morte e que silencia todos os enredos dos vivos, todas as espécies de igualdades fictícias.
Comovo-me com pessoas que ainda se indignam perante as quebras da democracia. Sinto grande ternura por pessoas que ainda se chocam perante votações forjadas, conluios e artimanhas.
Porque o choque e a incredulidade, pressupõem alguma utopia e inocência.
E eu, que já me espanto com pouco, comovo-me com quem consegue sentir indignação e repulsa.

Eu já só consigo sentir um certo consolo desencantado, por saber que debaixo da terra e debaixo das campas, jazigos e valas comuns... aí sim, há uma espécie de igualdade