E se ser assertivo for de todo impossível, deliciam-se os psicólogos com aqueles que são resilientes. No fundo, o sentido físico é o de suportar pressões, deformações, sem perder a forma inicial. Imagine-se uma mola humana que é puxada pelas pontas e largada e puxada e largada. Enquanto os puxões forem brutos, mas suportáveis, a mola volta ao sítio, quando largada em sossego. Claro que a elasticidade é perdida com o tempo, e também há limite para o puxão, pelo que é melhor que a mola se acautele para pinchar fora, caso as coisas se tornem incomportávies. Há quem conecte ainda a capacidade de resiliência com a capacidade de sobrevivência, o que de facto faz sentido. Ser resiliente é o escape de sobrevivência daqueles que não conseguem ser assertivos. Se a assertividade fosse uma qualidade não Barbie acessível a qualquer boneco de trazer por casa, o mundo era de facto o reino dos ursinhos cor-de-rosa, onde reinaria a paz e a compreensão, e o diálogo e a partilha e...sei lá que palavras mais feitas de poliéster e made in taiwan. Mas não. É difícil ser-se assertivo fora do Toys r' us ou do mundo encantado dos brinquedos da Leopoldina (que aliás também tem um arzinho de ter batido contra uma árvore e viver agora com algum dano cerebral).
Conclusão: a falta de assertividade compensa-se com uma grande capacidade de resiliência. E quando a pancada é muita e ameaça partir, à nossa espera há sempre o maravilhoso efeito placebo de um Pharmaton e uma música escolhida a dedo, como a que se segue:
Apesar de você, amanhã ha-de ser outro dia
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1 comentário:
Acutilante e inteligente observadora, os meus parabéns!
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