Em apenas 30 anos sucederam alterações notáveis na forma de ver o consumo.
Em 1980 a qualidade não tinha preço e o marketing era focado no produto.
Em 2012 vive-se com o vislumbre dessa qualidade e quer-se tê-la ao melhor preço.
O marketing tornou-se experencial e ninguém ousa gastar o dinheiro da crise em apenas produtos.
Pretende-se adquirir experiências. Pretende-se satisfazer necessidades. E na faculdade os objetivos de Bolonha apontam para a aquisição de valências.
Tudo isto tem qualquer coisa de etéreo e desesperado.
Fico a pensar no que nos move a todos de um ponto a outro.
E como vamos como numa torrente, levados pela mudança.
Vejo sempre as mesmas coisas todos os dias. Sempre as mesmas dores estampadas nos olhos dos velhos, mesmo em olhos de cores diferentes, o medo é o mesmo. Vejo sempre a mesma suspeição no sorriso dos mais jovens, convictos que ninguém os vê.
Sinto-me no meio. Com plena consciência da dor que se abeira e com o pé que saiu da crença que sabia de tudo.
Tenho pena das carcaças humanas que estremecem de febre e medo. E tenho pena dos olhos que do fundo pedem o tempo que já gastaram.
Há pessoas que choram pela solidão e pelo esquecimento. Muitas pessoas sós a quem só restava um outro que entretanto morreu. Os filhos são os tais que suspeitam que não seja nada assim. Raio dos velhos que não se calam e interrompem a vida atarefada dos filhos na cidade.
Sempre pensei que o envelhecimento tinha algo de dignificante. Mas tudo no corpo diz o contrário. Tudo descai mais um pouco e a memória esvai-se como que a atenuar a saudade do que foi.
Percebo que muitos se dediquem a encontrar o sentido para tudo isto. Pois que sem ele, tudo parece uma descarada reinação.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário