quinta-feira, 11 de setembro de 2014

sábado, 19 de julho de 2014

Os festivais com ou sem música




E por falar em festas e em figuração de personagens principais, vinha a ouvir na antena 3 mais uma dessas opiniões inflamadas sobre os festivais de música.
Dizia o locutor indignado que os festivais estavam a perder a personalidade e que a música era secundária.
Como pretenso conhecedor do verdadeiro festival de música o locutor ofendia-se com pessoas que estacionavam junto a um palco durante 3 dias e que não escolhiam o que ouviam. Revoltava-se ainda com as meninas e os looks festival e os telemóveis e todos os acessórios que enfeitam a festa.
Dizia que a música já não era a personagem central do festival.

Oh bebé inocente querido apresentador. Apeteceu-me ligar-te e com uma voz carinhosa dizer-te: bem-vindo ao mundo!

A eterna utopia



Lá está ela a pensar que é possível perseguir o impossível

Perguntavam-lhe e tu?
E ela pensava como nunca pensou nisso
Nunca idealizou um vestido, muito menos uma festa
Nunca sonhou com fogo de artifício ou com bolo
Nem sequer com uma casa ou com crianças à volta da mesa
Apenas e sempre sonhou com essa coisa antiquada de querer encontrar o amor
o grande, o absoluto e cheio de certezas
que nunca seria apenas o figurante dum dia festivo

Perguntavam-lhe e tu?
Pois não lhe servem vestidos brancos
Nunca os quis
Sempre quis o mais difícil
Um amor que sirva
de segunda pele






quinta-feira, 17 de julho de 2014

Meu herói



_________________________________________

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Uma espécie de igualdade




Hoje nas minhas viagens inter-cidades ouvi na rádio o relato de um professor da Chamusca que escreveu um livro chamado "Atitudes perante a morte".
Numa reflexão muito interessante, explicou o autor do livro que o cemitério da Chamusca era a imagem especular daquela aldeia, porque a morte do cemitério é obra dos vivos que a visitam.
E assim na Chamusca há uma estrada principal que corta a aldeia a direito onde estão as casas dos senhores mais ricos. Nas ruas laterais a essa via principal está a classe média e média-alta. E finalmente nas encostas do monte, já nas raias da aldeia estão os mais pobres. O cemitério da terra segue a mesma estrutura, com uma via principal de jazigos das famílias abastadas, campas laterais de todos aqueles que têm dinheiro para uma última habitação condigna e, atrás da capela, onde pouca gente vai e que pouca gente vê, as campas comuns, dos que pouco tinham e com nada partem.

Lembrei-me de imediato de um quadro do Museu d'Orsay de um pintor que me era desconhecido, mas que me impressionou muito: "egalité devant la mort" de William Bouguereau.

E percebo um pouco dessa paz que atribuem à morte e que silencia todos os enredos dos vivos, todas as espécies de igualdades fictícias.
Comovo-me com pessoas que ainda se indignam perante as quebras da democracia. Sinto grande ternura por pessoas que ainda se chocam perante votações forjadas, conluios e artimanhas.
Porque o choque e a incredulidade, pressupõem alguma utopia e inocência.
E eu, que já me espanto com pouco, comovo-me com quem consegue sentir indignação e repulsa.

Eu já só consigo sentir um certo consolo desencantado, por saber que debaixo da terra e debaixo das campas, jazigos e valas comuns... aí sim, há uma espécie de igualdade

sábado, 28 de junho de 2014

Sing to me - Walter Martin



_________________________________________

terça-feira, 10 de junho de 2014

Flor enraizada




___________________


Para ouvir, uivar e dançar

sábado, 31 de maio de 2014

sexta-feira, 30 de maio de 2014

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Hoje há dose dupla




Vi o Peter Murphy no coliseu do Porto numa altura que no meu Peugeot 205 só dava Bauhaus.
Saudades desse tempo cheio de tempo.

Love e os seus efeitos

terça-feira, 27 de maio de 2014

Um dia qualquer


_____________________________________

sexta-feira, 23 de maio de 2014

quinta-feira, 22 de maio de 2014

segunda-feira, 19 de maio de 2014

sexta-feira, 16 de maio de 2014

quarta-feira, 14 de maio de 2014

terça-feira, 13 de maio de 2014

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Novo desafio - Há músicas que falam por mim




Quando vejo algumas instalações artísticas em Serralves fico sempre cheia de ideias do que faria eu se me dessem uma sala, para montar essa coisa a que chamam instalação.
Depois penso que não preciso de uma sala para instalar seja o que for.
Uma das ideias posso concretiza-la aqui.
Há dias que tenho vontade zero de falar e apetecia-me estar num mutismo completo de boicote às palavras trocadas e poupança de voz.
Infelizmente muitas vezes vejo-me obrigada a ter que falar e tornar-me sociável quando a vontade era usar outras formas de comunicação.
Inspirada nessa minha versão autista ou poupada do discurso surge a minha primeira instalação virtual.

Durante os dias seguintes não direi nada e só usarei músicas para falarem por mim.
Porque às vezes é mesmo desnecessário dizer alguma coisa, quando alguém já o disse e muito bem

Dia 1. Há músicas que falam por mim - subida aos céus da naifa
Dia 2. Há músicas que falam por mim - Inquietação - camané e dead combo

A contas com o bem que tu me fazes
A contas com o mal por que passei
Com tantas guerras que travei
Já não sei fazer as pazes

São flores aos milhões entre ruínas
Meu peito feito campo de batalha
Cada alvorada que me ensinas
Oiro em pó que o vento espalha

Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Ensinas-me fazer tantas perguntas
Na volta das respostas que eu trazia
Quantas promessas eu faria
Se as cumprisse todas juntas

Não largues esta mão no torvelinho
Pois falta sempre pouco para chegar
Eu não meti o barco ao mar
Pra ficar pelo caminho

Cá dentro inqueitação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Cá dentro inqueitação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Mas sei
É que não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que eu tenho que fazer
Qualquer coisa que eu devia resolver
Porquê, não sei
Mas sei
Que essa coisa é que é linda



quarta-feira, 30 de abril de 2014

Prometeu






Olhar Prometeu contra o céu azul faz parte da minha felicidade de estar aqui.
É para ele que olho a cada degrau da subida.
Ao meu lado falam, restos do almoço, pequenas conversas de café.
E eu ouço o caminho distraída, formulando a minha melhor expressão atenta, para que não suspeitem que é a ele que vejo.

E tudo se transforma numa grande metáfora.
Os degraus que subo um a um.
As vozes que silencio e o recorte daquela figura contra o céu.
Presa, mas sem perder o fogo que da mão liberta não sai.

Interessa-me pouco a conotação do fogo com a sabedoria roubada a Zeus e entregue aos homens.
Para mim aquele fogo é muito mais do que isso.
É a centelha de vida que encontro no mais escuro de mim.
É a esperança que Pandora curiosa conseguiu prender na caixa.
Para que no meio de tanta coisa reles que me atiram, haja sempre uma alegria prometida.

Prometeu, promete-me isso todos os dias

O Prometeu é ponto de encontro para muitos.
Para mim também.
Comigo mesma.

domingo, 27 de abril de 2014

Bach com swing

Nunca gostei de Bach, o que parece ser um crime hediondo para quem gosta de música.
Amigos meus, incrédulos, questionam-me sempre quais os motivos para não gostar.
Motivo algum racional, ou por outra não racionalizei sobre o assunto. Talvez o ache muito bonitinho, a certa altura da música julgo estar num elevador ou ao telefone à espera que me atendam. Talvez as vibrações musicais não estejam na mesma frequência das minhas vibrações. Talvez existam tons que façam ressonância no coração de alguns e outros que passem sem alterar a frequência cardíaca.

Sim, se calhar é a forma mais correcta que tenho para explicar o que gosto e não gosto. O meu coração acelera face ao que gosta, como o cãozinho que avista o dono e bate a cauda de entusiasmo. Ponham-me em frente a Bach e o meu coração pensa em tirar uma sesta. O que hei-de fazer? É fisiológico.

Bem, esta versão do Bach, já me faz levantar a orelha e bater alguns solos cardíacos. Mas foi preciso dar um swing à coisa.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Crime e castigo



Rodion Romanovitch Raskolnikov, ou Ródia traz no nome (soube-o depois) um indício já 

que o seu apelido significa cisma

quinta-feira, 20 de março de 2014

quarta-feira, 19 de março de 2014

INFJ - o protector

Fiz um teste daqueles que nos gosta de classificar como quem classifica espécies de bactérias.
É o famoso teste de classificação baseado nos arquétipos de Jung.

O resultado foi INFJ. Segundo o resultado, só 1% da população pertence a este tipo, sendo o mais raro.

Enfim, acho estranho, mas a ser verdade explica muita coisa.


Diria que muito do que é dito, senão tudo, tem a ver comigo. Mas talvez porque se faça uma descrição à la signos onde cabem várias pessoas. Uma coisa é certa, a vida não é fácil para um INFJ.

sexta-feira, 14 de março de 2014

sexta-feira, 7 de março de 2014

É sempre bom lembrar



___________________________________

É sempre bom lembrar do Chico Buarque



Resiliência







quinta-feira, 6 de março de 2014

quarta-feira, 5 de março de 2014

Doença



___________________________


terça-feira, 4 de março de 2014

Como se desapaixonar




________________________________________

A psicologia cognitiva narrativa foi para mim uma descoberta e é uma sobrevivência. Entrei nela aos poucos primeiro pela mão do Manuel Rosas que muito me ajudou guiando a minha narrativa. E depois por sua sugestão comecei a ler sobre o assunto num livro de Oscar Gonçalves.
Descobri então que alterando o meu discurso poderia alterar a minha disposição. Verbalizando coisas que iam contra a minha voz interior auto-destrutiva, conseguia alterar essa voz. Fazê-la dizer outras coisas, nas quais inicialmente não acreditava, mas que passava a acreditar perante tanta repetição e insistência. Como se à custa de tanta repetição o repetido se tornasse o repetidor.
Desde então dificilmente digo frases como "não consigo" ou "não sou capaz" e se me surpreendo a fazê-lo, volto ã reprogramação cerrada.

Quando se está apaixonado, o alheamento do contexto diário acontece com regularidade. A pessoa constrói narrativas que são realidades alternativas onde parece ser mais prazeiroso viver.
Esta aventura do cérebro é uma «loucura» induzida pela química cerebral guiada pelo sistema límbico e capaz de transtornar a pessoa apaixonada. Quando ocorre a separação do ente amado, essa
pessoa procura, por vezes, recompensar-se em viver o dia-a-dia de forma fantasiosa, assumindo por vezes narrativas substitutas da presença da pessoa.

Acredito ser possível desapaixonarmos-nos narrativamente. Com disciplina e um discurso alinhado com a realidade é possível treinar o cérebro para desistir de alguém.
Um pouco instintivamente todos sabemos o que fazer. Algumas pessoas resolvem focar-se nos defeitos da pessoa. Lembrar os aspectos desagradáveis e repeti-los muitas vezes. Por cada saudade ou recaída toca a pensar nos dentes amarelos, ou na ruga no canto do olho, ou na palavra amarga
colocada na frase de que não se gostou. É por isso que muita gente fala mal de quem amou.... É por isso que à Elis neste maravilhoso "atrás da porta" dá para maldizer o lar, sujar o nome, humilhar. Adorando pelo avesso.

Quem é você?


____________________________________

Imagino a cena.
Namorados sob a protecção da máscara erram os seus amores
Ela não sabe dançar, ele nasceu para sambar
Ela é tão menina, o tempo dele passou
Ela é Columbina, ele é o Pierrot
Ela tem um pandeiro, ele toca o violão
Ele nada em dinheiro ela não tem um tostão

É noite dos mascarados
Não importa mais quem é você
O que você pedir eu lhe dou
Seja você quem for, seja o que Deus quiser

domingo, 2 de março de 2014

Ai rapaz!



____________________________

sábado, 1 de março de 2014

Blueberry nights


________________________________________

Amada Vida de Alice Munro

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Reprogramação- Lema 1- pensar só atrapalha



_________________________

O Mundo não se Fez para Pensarmos Nele
O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...

Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender ...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema II

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Exemplarmente excluida



________________________________


Roller Coaster


___________________________


6:30 - Irritação - porque não te deitaste mais cedo?
7:00 - Alegria- Lavaste a alma e o corpo e tudo parece ter melhor cara
7:30 - Stress - sair de casa já, ou não vale a pena acordares de madrugada
8:00 - Liberdade- Viagem de carro, música, tu e o volante. Sensação de que conduzes o teu destino
8:30 - Ansiedade. Lista de coisas a fazer parece interminável
9:00 - Alegria- Bebeste café. Atravessas o pátio a pensar que tudo vai correr bem. O dia é longo e tens os dias todos pela frente
9:30 - Stress - Tens pelo menos duas pessoas a perguntarem-te constantemente o que fazer. E a lista continua a acumular. Pensas que querias ter um comando que fizesse desaparecer pessoas para poderes trabalhar em paz
12:30 - Alívio. Almoçar e respirar ar puro. Falar sobre as notícias do dia
13:30 - Stress. Porque é que isto não resultou? porque é que aquilo não funciona. Vou ter que repetir? Pensas novamente no tal comando e como gostarias de apagar as pessoas ou as calar instantaneamente
15:30 - Stress a níveis impensáveis. Sentes-te bombeira a acudir a fogos. Ainda não conseguiste escrever uma linha do teu trabalho. Cada vez que te sentas tens que voltar a ler tudo que tinhas escrito e quando finalmente estás a fazer alguma coisa alguém te interrompe.
16:30 - Alívio. Começam a ir embora as pessoas que tu querias apagar com o comando. Consegues finalmente começar a trabalhar nos teus afazeres
17:00 - Alegria. Lanche. Conversa. Parece que às vezes és uma pessimista. Nem tudo é tão mau assim
17:30 - Calma. Debandada geral e tu ficas a trabalhar.
18:30 - Saudades. Pensas em quem te faz falta e como te apetecia jantar com companhia e rir para variar
19:30 - Cansaço. Pensas de como os teus dias são cheios de coisas e sobra tão pouco para ti. Obrigas-te a ir embora
20:00 - Tristeza. Reformulas mentalmente as listas de afazeres. Verificas que o in está sempre a crescer e o out custa a sair. Pensas novas estratégias para seres mais eficiente.
20:30 - Solidão. Gostarias que tudo se invertesse. Partilhar mais os momentos de lazer e estar mais só no trabalho
21:30- Alívio. Descompressão. Não consegues trabalhar. o cérebro precisa doutro alimento
23:00- Ansiedade. Começas a sentir-te culpada. Melhor trabalhar um pouco porque prometeste algo a alguém
1:00 - Solidão. Gostavas que alguém te revelasse de alguma forma que se lembrou de ti durante o dia.
3:00 - Cansaço. Questionas-te se valerá a pena forçares trabalhar até tarde. Decides que amanhã será diferente
3:30 - Irritação. Vais dormir pouco e pensas porque não te deitaste mais cedo?

domingo, 23 de fevereiro de 2014

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Música do dia



______________________________

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

tributo à menina da farmácia



_____________________

Tão fofinho

sábado, 15 de fevereiro de 2014

DNA musical

Para todos aqueles a quem a música faz milagres
Para todos aqueles em que a música é o mais próximo de sentirem que alguém está mesmo convosco
Para todos aqueles a quem uma música pode salvar a vida e o dia e a disposição
Para quem a música faz vibrar, dançar, chorar, inspirar, adormecer, desejar
Para todos vós desejo um fds cheio de spotify


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

sms nocturno


______________________________

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Salvem a pele intocada


________________________________________________



Oh, os ecológicos e os conscientes
Louvores aos que pensam nos filhos e no futuro
Isso, icem bandeiras por um mundo melhor
Um melhor do mundo a mais de azul e quase nada químico
E a água aproveitadinha gota-a-gota
e os recursos
e essas tretas
Tudo limpo e as focas assépticas e bonitas, de pêlo luzidio
Gosto de focas, mas
Mas estranho que
Enquanto tudo se aproveita
Milhões de corações solitários bombeiam disciplinadamente um sangue que não corre por ninguém
Milhões de peles intocadas, jazem à espera de uma mão que as contorne
Milhões de lábios selados, ficam assim sem perceber o beijo

Impiedosos ambientalistas
que não se lembram dos desperdícios humanos
do desejo, do toque, do amor em vias de extinção

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Addiction



________________________________________________

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Ninguém quer



______________________________________________

ABSTRACTO VOADOR





Há asas escondidas em cada abraço que se abre


Eu seguro



_________________________________________

Ainda por falar/pensar/sentir o tempo na pele
A vontade é de fincar as mãos na esquina
E não a dobrar, para não deixar para trás
O que inevitavelmente pertence atrás
Ficar segura à dobra do tempo como uma bandeira no mastro
Lutar com o vento do tempo que arrasta para a frente

Eu seguro

Crime e castigo

Tenho sem

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

A volta das hidras




A hidra tuga tem:

- José Luís Peixoto - para além de escrever bem é uma delícia ouvi-lo falar, com o seu sotaque alentejano. Ainda o ouvi há pouco no programa autores da tvi e voltei a confirmar aquilo que ele próprio dizia. O facto de se conhecer o escritor condiciona a leitura. Gosto imenso de ler Gonçalo M Tavares por ex, mas a imagem e o cenho um tanto carregado e amargo dele tornaram-me a sua escrita num exercício de afastamento do que conheci. Já o Peixoto é um escritor com imenso carisma e aquela irreverenciazinha dos pierciengs associada ao sotaque alentejano e aquela falha na sobrancelha são assim polos de atracção adicional a uma escrita já de si muito boa.
- António Zambujo - reparo nas semelhanças: o sotaque alentejano e a falha na sobrancelha. Aliada a uma voz a la Caetano canta debaixo do chaparro. Também me anima de facto.
- Pedro Fernandes - nada de especial...tinha ali um buraco a preencher e lembrei-me dele
- Laurent Filipe - nem sequer conheço direito o trabalho dele. Sei que é trompetista e compositor e é giro que se farta
- J P Simões - Gosto muito dele e da voz dele, e daquele ar meio obscuro e da ironia dele...sim tem qualquer coisa que me prende
- Camané - Voz, olhos, sinal - the all package. Impossível não nos apaixonar-mos por este Ai Margarida
- Paulo Sérgio Santos - é um fofinho. Adoro a presença serena dele no programa autores. Tem cara de querido.
- Manzarra - idolo das teens. Tem a sua graça. Aquele dentinho crescido e as suas criações na rede. É um miúdo cheio de carisma tb. E de aspecto lembra-me o Mark Ruffalo.

a hidra estrangeira tem:

- Ashton Kutcher - percebo o padecer da Demi Moore. É muito bonito e com a tal qualquer coisa
- Ryan Gosling - foi a Marina que me falou dele e de alguns filmes que protagonizou. Bom e bonito.
- Mark Ruffalo - Aposto que não deverá ser uma beleza consensual. Mas para mim sempre que o vejo num filme não me consigo concentrar no filme. O dente crescido, os olhinhos meios tortos é todo um charme. A voz a resvalar a roquidão também ajuda. É daquelas pessoas inexplicáveis que mexem comigo e não sei bem porquê.
- Bradley Cooper - é o bonitinho de serviço. Mas não é dos bonitinhos ocos...aquele azul do olhar tem profundidade.
- Leo DiCaprio - Este homem com o amadurecimento está cada vez melhor. Lembro-me quando era um miudo imberbe sem graça nenhuma que fazia filmes foleiros como o titanic e o n sei que do shakespear. E agora é vê-lo em filmes como Departed e Great Gatsby. Muito bom.
- James Franco - Outro como o Mark. Absolutamente magnetisante. Nunca consigo ver bem a representação.


___________________________________




quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Como um murmúrio



_________________________________________________

Eu escrevo sem o acordo ortográfico. Quero crer que não o faço por ser irremediavelmente velha e já não aceitar a novidade.
Faço-o antes por amor às palavras com que cresci.

Há palavras absolutamente deliciosas na língua portuguesa.

Murmúrio é uma delas.

Como um gargarejo de letras que chove sobre mim.
Como uma onda de fonemas que enrola na língua e desata os sons -
- num sopro apenas

O teu murmúrio. É como um recado secreto.
Como um pensamento que é mais alto que uma ideia e mais baixo que uma voz-
-um sopro apenas

O silencio às vezes é de prata, às vezes mata.

Mas eu sempre escutei. O teu murmúrio.

Será que o murmúrio vem assim, como o sinto?
Essa onda que se gera e se propaga de costa a costa, mesmo que de costas voltadas, chega de frente-
- de um sopro apenas

O teu murmúrio. É como uma certeza que se inscreveu sem ter sido dúvida.
Como uma lembrança que aparece sem passado.

O teu murmúrio. É como um sinal sob a pele, que começa a irromper
Como um esboço que evoca uma imagem.

O teu murmúrio. É como um roçar de tecido no corpo
Quando visto a saudade bem comprida.

O teu murmúrio.
O meu suspiro.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014