sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Carta aberta



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Trago uma carta na voz, como uma folha de Inverno que voa no vento e se cola à primeira árvore.
A carta que trago é uma sexta-feira, como esta.
Será que te cheguei a contar que as sextas-feiras são o meu dia favorito?
As sexta-feiras são cartas por abrir. São a promessa e o dia das possibilidades infindáveis.
Sorrio para ti como se visses.
Sei que sabes que me rio sem rosto. De resto sou assim como sabes.
Não penses que a memória me constrói. Eu sou como tu me soubeste. Tu és sem tirar nem pôr.
É o momento de te rires, condescendente. Ainda assim, perante a imponderável saudade que não manifesto, mas que nunca deixei de sentir, digo-te que tenho sempre uma carta para ti.
Ainda que te pareça apenas uma folha húmida de Inverno, arrastada pelo vento, esta carta que trago colada à voz é para ti e sempre foi, desde o tempo de todas as sextas-feiras.

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