terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
A imortalidade
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No livro a imortalidade de Milan Kundera, o tema transversal é mesmo o próprio título do livro. O que é que subsiste de nós? A imortalidade que todos almejamos é conquistada por muitos, não no sentido literal, de também eles terem deixado de morrer (boa tentativa Saramago), mas no sentido de alcançarem, sem a presença física, a proeza de lembrarem aos outros que existiram. Porque quer queiramos quer não, longe da vista é mesmo longe do coração e, permanecer no imaginário daqueles que não partilham o mundo connosco, é algo muito especial. Eu vejo um pouco a imortalidade num sentido menos lato. Digamos que, no sentido da minha pequena vidinha, e com o prazo de validade da sua duração, há um sem número de coisas imortais. Porque mesmo não as tendo mais ao alcance da mão, estão em mim inscritas na pedra, indeléveis.
Há coisas aparentemente banais como gestos de pessoas e até tiques. Há fotogramas de momentos, como a visualização de um gato ao colo que me fazia enternecer tanto com a seguinte imagem: duas espécies diferentes e um instante de absoluta comunhão e puro entendimento.
E depois há esta coisa maravilhosa que é a capacidade de um artista sair do outro lado do mundo para nos tocar, onde nós não entendemos ser possível, e nos mudar para sempre.
A imortalidade no domínio que é a minha pequena vidinha são filmes como o "In the mood for love". Já aqui escrevi sobre esta cena do filme que me fascinou tanto. Mas o filme é todo ele fascinante e imortal. Imortal, porque renasce em mim inúmeras vezes. Dou comigo a pensar nele em várias perspectivas possíveis. E desde que o vi, nunca parou de dialogar comigo
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