terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Revolutionary road versus revolutionary road
O livro é muito bom.
E o filme é igualmente muito bom.
Só o vi um ano depois de ler o livro, adiando sempre o que achei que seria uma desilusão. Mas não, o Frank e a April dos actores DiCaprio e Winslet estão muito bem representados.
Se comparações se podem fazer e alguma coisa falhou, entendo que seja por não caber tudo no filme. Coube o importante.
No livro há mais detalhe em pormenores de diletantismo, como a tarefa empreendida por Frank (e inacabada) de construir um caminho para a casa em lajes de pedra. Há ainda alguma maior amargura na maneira como o Frank lida com a amante colega de trabalho, que no filme não é tão evidente. Sabemos apenas que ele acabou com a relação quando diz a April.
Algo que eu tenho pena de não ter sido bem explorado foi a vizinha chata que lhes vendeu a casa. No livro, a vizinha que aparece muitas vezes é quase a materialização das frustrações do casal e, apesar de cheia de amabilidades, não sabemos se ela é honesta no desejo de os visitar e presentear, ou se visa apenas deitar o olho à forma como vivem. A certa altura no livro pareceu-me que a senhora era genuinamente simpática, mas talvez a sua simpatia e servilismo com que quase rastejava perante os Wheelers os fizesse odia-la, pois era a personificação daquela vida plástica, falsamente feliz e agradável. No filme isso não foi explorado, e apenas numa cena brilhante da Kate Winslet se percebe a repugnância que April mostra à oferta de uma flor que a vizinha lhe traz. Mas é tudo muito subtil e se não tivesse lido o livro se calhar escapava-me. Aliás há uma cena muito engraçada do livro em que o marido da dita senhora (não me lembro do nome dela) desliga o aparelho auditivo para não a ouvir. No filme essa cena aparece um pouco descabida. Penso que é porque no filme, exceptuando o casal Wheeler, as restantes personagens não têm tempo de ganhar mais profundidade. Têm poucas cenas e por exemplo, no caso desta vizinha, não se percebe muito bem o seu espírito inoportuno e metidiço. E é uma pena, porque no livro esta parte traz ainda mais riqueza aquele tapete emocional. O mesmo poderia dizer do casal amigo, que no livro ganha outra dimensão.
Mas esta opinião apenas reforça a minha ideia de que um bom livro não cabe num filme. E neste caso, mesmo ficando muito livro de fora, sobrou um excelente filme.
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