terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Criptofonia

3 músicas e uma só mensagem encriptada.


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Back to black


Amy Winehouse - Back To Black [Acoustic The Orange Lounge]
Enviado por wonderful-life1989. - Clipes, entrevista dos artistas, shows e muito mais.

(Nota: o vídeo não é muito bom, pois a voz não está sincronizada com a imagem, mas eu queria especificamente esta versão acústica, que no youtube não tem autorização para incluir em sites...pode acessar-se em : http://www.youtube.com/watch?v=WbVp09E1LRg)_________________________

Dialética
Se calhar se a Amy Winehouse não fosse tão espectacular no que faz, era uma pessoa com menos problemas e mais feliz. Mas se calhar se a Amy Winehouse fosse uma pessoa com menos problemas e mais feliz, não era tão espectacular no que faz.

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É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz

Mas acontece que eu sou triste...

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Já me sinto melhor #2


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Não há nada mais animador que pensar que é hoje o dia de todas as possibilidades.

domingo, 19 de dezembro de 2010

sábado, 18 de dezembro de 2010

Ficam tão bem juntos #7


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Continuando com PJ harvey, desta vez com Tricky em broken homes. A música com um som de quase parada militar é fantástica.

Ficam tão bem juntos #6


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Mais um duo com o Thom Yorke, desta vez com PJ Harvey, em que as vozes encaixam de forma brilhante.
Penso que será difícil algum duo não funcionar bem com o Thom Yorke, porque tem uma sensibilidade extrema para a interpretação.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Espalhem a notícia


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Esta música ganhou tanto com a voz da Manuela Azevedo. Ficou perfeita

A cover a day puts the doctor away #9


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Femme Fatale
E por falar em Velvet Underground, um grupo com quem aprendi que havia mais música a explorar que o mainstream das musiquinhas que as radios e as suas playlists nos dão, aqui está femme fatale com a voz especial da Nico. Mais uma vez apesar de até gostar da versão do Beck, o original é muito marcante para ser preterido.

A cover a day puts the doctor away #8


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So long Marianne
A 1ª versão é do John Cale (que fez parte dos Velvet underground) com a Suzanne Vega. As imagens das senhoras que alguém pôs no youtube por mais perturbadoras que possam parecer tornam-se engraçadas quando se sabe que são as fotos que aparecem das Marianne pesquisadas no google.
A 2ª versão é do Beck que não se descolou muito da voz mais madura do Leonard Cohen.
As versões são boas, mas o que dizer: Leonard Cohen é Leonard Cohen

Comptine d'un autre été


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Adoro Yann Tiersen.
Vou dormir depois desta maravilha

Já me sinto melhor #1


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Nova rubrica para entrelaçar com as outras.
Há músicas que fazem mais efeito que um comprimido e que depois de as ouvirmos pensamos: já me sinto melhor.
Tenho muitos destes comprimidos para a alma, normalmente muito cheerfuls e leves para aqueles dias que o ceu cinzento não faz nada por nós.
Começo com Sérgio Godinho (ele tem uma farmácia grande destes benditos remédios), numa música que simplesmente dispõe bem.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Ficam tão bem juntos #5


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Ai a Kylie Minogue fica muito, mas mesmo muito bem com o Nick Cave. Nem sabia que ela tinha uma voz tão bonita. Adoro esta música

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Little water song



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Tenho que me afastar daqui, mas não sem deixar uma música lindíssima. É também um dueto, mas a uma única voz (Ute Lemper outra vez) com letra de Nick Cave.

Ficam tão bem juntos #4


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Este album é fantástico e esta música soberba no dueto de Neil Hannon com a poderosíssima Ute Lamper.
Já pareço ter uma pequena preferência pelo Neil Hannon...é verdade, está-se a desenvolver essa compulsão de o ouvir porque acho graça à imponderável conjunção da sua frágil figura com o seu vozeirão. Acho-o também muito versátil (basta ver como acompanha igualmente bem uma voz doce como a Cathy e uma voz forte como a Ute).

Ficam tão bem juntos #3

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Stuart stables e a sua voz única em dueto com Ann Magnuson. Muito bom.

Ficam tão bem juntos #2


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Outra vez Björk e Thom Yorke dos radiohead, desta vez juntos e maravilhosamente.

A cover a day puts the doctor away #7




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Duelo de titãs. Björk e Radiohead.
Gosto da versão dos radiohead, especialmente os apontamentos mais electrónicos. Mas tenho Björk a mais no sangue para abandonar a minha preferência pelo original, que é como quase tudo dela "de cortar a respiração".

Ficam tão bem juntos #1



Gosto imenso de duetos de voz feminina e masculina.
E há muitos que ficam tão bem juntos. Acho que no tempo das minhas k7s temáticas já tentei fazer uma k7 só de duetos.

Abro o tema com Neil Hannon e Cathy Davey (a tal Cathy que o inspira tanto na música Cathy do Rodrigo Leão). Desconhecia esta irlandesa, mas tem uma voz muito peculiar e doce. Ouvi dela um single "little red" muito bom, mas vou explorar mais.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Com um brilhozinho nos olhos



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Mais expressiva que a manada de gnus:

Com um brilhozinho nos olhos
E a saia rodada
Escancaraste a porta do bar
Trazias o cabelo aos ombros
Passeando de cá para lá
Como as ondas do mar
Conheço tão bem esses olhos
E nunca me enganam
O que é que aconteceu diz lá
É que hoje fiz um amigo
E coisa mais preciosa no mundo não há
É que hoje fiz um amigo
E coisa mais preciosa no mundo não há

Com um brilhozinho nos olhos
Metemos o carro
Muito à frente muito à frente dos bois
Ou seja fizemos promessas
Trocámos retratos
Traçámos projectos a dois
Trocámos de roupa trocámos de corpo
Trocámos de beijos tão bom é tão bom
E com um brilhozinho nos olhos
Tocámos guitarras
Pelo menos a julgar pelo som
E com um brilhozinho nos olhos
Tocámos guitarras
Pelo menos a julgar pelo som

E o que é que foi que ele disse?

Com um brilhozinho nos olhos
Corremos os estores
Pusemos a rádio no on
Acendemos a já costumeira
Velinha de igreja
Pusemos no off o telefone
E olha não dá para contar
Mas sei que tu sabes
Daquilo que sabes que eu sei
E com um brilhozinho nos olhos
Ficámos parados
Depois do que não te contei
E com um brilhozinho nos olhos
Ficámos parados
Depois do que não te contei

Com um brilhozinho nos olhos
Dissemos sei lá
Tudo o que nos passou pela tola
Do estilo: és o number one
Dou-te vinte valores
És um treze no totobola
E às duas por três
Bebemos um copo
Fizemos o quatro e pintámos o sete
E com um brilhozinho nos olhos
Ficámos imoveis
A dar uma de tête a tête
E com um brilhozinho nos olhos
Ficámos imoveis
A dar uma de tête a tête

E o que é que foi que ele disse?

E com um brilhozinho nos olhos
Tentámos saber
Para lá do que muito se amou
Quem eramos nós
Quem queriamos ser
E quais as esperanças
Que a vida roubou
E olhei-o de longe
E mirei-o de perto
Que quem não vê caras
Não vê corações
E com um brilhozinho nos olhos
Guardei um amigo
Que é coisa que vale milhões
E com um brilhozinho nos olhos
Guardei um amigo
Que é coisa que vale milhões

E o que é que foi que ele disse?

A difícil tarefa de verbalizar o que se sente

Acho que entretanto perdi a capacidade de escrever.
Não sei se aconteceu com o nascer do primeiro fio branco de cabelo.
Ou se as noites de insónia adormeceram o último neurónio inspirado.
Acho até que foi um processo lento. Já não sei escrever há muito tempo. Já quase não me lembro de saber escrever. E ao dizer "saber escrever" refiro-me à compulsão que sentia. Ao estado emergente...à necessidade imediata. Ao acto simples de sem pensar, pensar por escrito, mal conseguindo acompanhar com a agilidade da mão, a rapidez da palavra.Sinto falta de escrever, daquela forma incontida de quem verte uma lágrima. Escrever naturalmente como quem pensa num desejo e sopra as velas.
É exasperante continuar a pensar e a sentir da mesma forma, mas não ser simplesmente capaz de dizer uma palavra sobre o assunto. Sinto que não consigo que o que penso chegue ao lado de cá do abismo. Rompeu-se uma qualquer travessia que fazia a ligação directa à palavra. Entrei numa espécie de auto-censura que não sei desbloquear.

E um sem número de vezes me sinto como agora em que por mais que tecle, a nenhuma destas letras fui capaz de passar a mensagem.

Acima de tudo gostava de saber expressar o que sinto. E o que sinto agora é que uma manada de gnus se libertou e ao meu redor apenas aquela poeira bem-vinda da corrida desenfreada. Sinto que me arrancaste uma manada de gnus do peito e ainda tremo com a emoção da porta escancarada.

e que música merece esta tradução deficitária do que sinto? (vou pensar)

A cover a day puts the doctor away #6


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The man who sold the world

Esta música do David Bowie, é muito mais conhecida pela cover unplugged dos Nirvana. As duas não diferem muito no global. E eu não sei bem qual delas prefiro. Talvez, ainda assim prefira o original do David Bowie, porque é uma música mais psicadélica,onde o glam rock se antevê por trás daquela voz metálica cheia de brilho. Mas eu sou suspeita, pois gosto mesmo muito do David Bowie.

A cover a day puts the doctor away #5



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Come as you are
Um original dos Nirvana e uma versão jazzistica (apesar de versão é muito original) do Charlie Hunter Trio sugeridas pelo meu amigo Jorge S.
O original dos Nirvana dispensa comentários. A cover em tom de jazz é surpreendente. Gostava mesmo de saber tocar alguma coisa para poder transfigurar assim uma música. Para poder mudar-lhe o sabor e a cor e no final deixar de ter um olhar único para ter mil, bem diversos.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A cover a day puts the doctor away #4


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Para ver se afasta a gripe
Avec le temps

O original e a fantástica versão da Teresa Salgueiro, acho que prefiro esta última

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A cover a day puts the doctor away #3



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Golden Skans

Neste, para mim ganha a cover dos Clã...indubitavelmente

A cover a day puts the doctor away #2


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ALABAMA SONG

Mais um empate técnico. Adoro a voz decadente no original de Kurt Weill que me lembro de ouvir num disco vinil que propagava o roufenho desta versão crua.
E adoro a versão dos Doors que souberam manter na parte instrumental aquele som de feira popular. Quase que dá para imaginar um carrocel cheio de luzes e uma garrafa de whiskey a servir de cenoura aos músicos que nos cavalinhos perseguem a sensação da euforia.

Fantásticas as duas.

ADENDA:

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Esta versão dos Young Gods, sugestão do Jorge S. também está fantástica. É uma verdadeira versão, porque a sonoridade foi completamente reinventada e adaptada ao rock industrial deste trio suiço. Com um tom muito underground, vai na mesma buscar o espírito obscuro do original de weil, mas com um tom moderno. Adoro descobrir estas coisas. Obrigada Jorge!

A cover a day puts the doctor away #1


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Sou da empedernida opinião que para fazer uma versão de uma música é preciso que a versão traga mais ou diferente...senão melhor nem tentar.

Vou aqui trazer covers ou versões de músicas que gosto (e às vezes já gostava do original).

A primeira mora em baixo...cake e a sua versão I will survive. Acho meritória esta cover, porque ainda por cima é feita para uma música já de si excelente. Sem imitar, os cake conseguiram aumentar o ar sarcástico com aquela voz um pouco: "WTF I don't really care"....muito boa

Nesta eu diria:
Versão Gloria Gaynor 1....Cover cake 1 (empate técnico)

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Nem todos os sapos viram príncipes


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Pois não.
Não é sempre que pegamos num sapo para o aproximar da boca e de um beijo se solta um príncipe. Às vezes aproximamos o sapo dos lábios, apenas para o engolir.
Hoje tive que engolir um sapo daqueles mais intragáveis. Um sapo escanzelado e com um dente afiado, seco e espinhudo que me arranhou todo o sistema digestivo à sua passagem.

Nota mental:

1- Nunca, mas mesmo nunca mais me aborrecer com pessoas/coisas que não valem a pena
2- Se tiver que engolir mais sapos...passa-los por azeite, coentros ou gratina-los e empurra-los goela a baixo com um vinho excelente....é o que irei fazer de seguida
3- Rebentar de orgulho e alívio cada vez que tenho uma oportunidade como esta de reconhecer que sou muito mais inteligente e muito, mas mesmo muito melhor pessoa
4- Também posso ficar contente por não ter um dente que parece que nasceu do nariz
5- Tentar controlar mais as expressões que faço quando tenho que engolir sapos. Se os estou a engolir, pelo menos que ninguém repare

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Semvite


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Convido-te para me convidares para um encontro impossível.
Onde não tenha tempo para te seguir, nem tenhas vontade de comparecer.
Podemos trocar algumas mensagens para decidir o lugar do não-encontro.
O que achas de um café no progresso a troco de uma discussão inexistente que deixarei passar por se tratar de mera publicidade? Que idéia perfeita essa a de escolheres a hora em que eu não possa. Far-me-ei desentendida e tu farás de conta que irei.
A pretexto da poesia, tomaremos um não café. Falaremos muito mentalmente de todas as conversas em atraso, as tidas e as imaginadas.
Convido-te para me convidares a uma impossibilidade.
Escolhe uma hora imprópria, um dia atarefado, alguma coisa que eu possa recusar.
Mas antes faz planos. Pensa na conversa, folheia uns livros e pensa no que irás vestir.
Eu da minha parte irei buscar as pulseiras do bonfim como a que trago no pulso prestes a partir.
Nunca cheguei a comentar contigo o Revolutionary road. Nem com ninguém, que esses temas são para os meus botões apenas, já que tu usas fechos eclair.
Convido-te para me convidares a não nos encontrarmos em breve, tal como temos feito todos os anos antes do Natal.

Das sereias e outros demónios


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A Mulher sempre foi para o Homem a dicotomia absoluta: a tentação e a fuga; a inspiração e a secura da criação; o medo e a atracção.
E em função disso, para se justificar, sossegar, aliviar, o Homem cria imagens femininas duplas de significado e plenas de justificação para todo o acto ou falta dele.
São um exemplo as Sereias. As Sereias têm na própria palavra a dúvida. Sereia ou sirena, parece tão comum à sirene que é aviso, seja no toque aflito do farol que adverte os navios para se afastarem do mar bravio na costa. Sirene é ainda o toque alerta dos bombeiros quando um incêndio deflagra. É um soar da ambulância que apela a que se desviem para ter tempo de salvar uma vida.
Apesar disso, da Sirene, do aviso, os barcos insistiam em dirigir-se ao (en)canto delas. E a elas se atribuem naufrágios e outras tragédias. Interessante saber que hoje em dia a Sirene avisa e aconselha fuga. De onde veio tal contradição de palavras?
Talvez não haja contradição, mas apenas um aproveitar do eterno medo do poder das Mulheres. Quando digo poder das Mulheres digo poder daquelas que se destacam por abanarem alguma estrutura ou causarem estranheza. Quem não se lembra da caça às bruxas? Mulheres interessantes e interessadas eram desejadas e temidas. Nada como a fogueira para lhes queimar as certezas e fazer as convicções em cinzas. Ainda hoje assim é. Ainda hoje no Irão as Mulheres pouco modestas são consideradas responsáveis por terramotos.
Assim é com as Sereias/Mulheres responsáveis pelas mais terríveis tormentas após o mais belo canto de chamamento. Sereias, a meias com a mulher, a meias com o peixe, personificam na perfeição a indecisão do Homem. Na Sereia os Homens projectam a Mulher que atrai e o ser marítimo escamoso e fugidio que mergulha nas profundezas do mar. Nas Sereias está a voz que seduz/conduz para o abismo.
E o papel do Marinheiro em tudo isto? Passivo e ilustrativo de todo o conflito interior dos Homens. Coitado do Homem/Marinheiro/Vítima/Presa indefesa, colhido à socapa e de surpresa, navega ao sabor das ondas e é levado, induzido, ludibriado.
Fica sempre resignado o Marinheiro perante o irremediável poder da Sereia. Ele que é absolutamente alheio a um poder a que é impossível escapar. Não o culpabilizem por favor, da tormenta que o consome, da tempestade que o atira para a morte e da atracção a que não pode dizer não. Marinheiros/heróis, enfim, Homens valorosos e outros tudo tentam : amarram-se aos mastros e tapam os ouvidos porque a sua vontade não é suficiente para vencer o apelo salgado da sereia. Que agri-doce criatura que com o mel da voz, clama no sal da vaga!
Outra cruel verdade que se repete transversalmente pela história é de que as Sereias não têm alma. São, diria eu, quase o pior dos seres, pois desprovidos de qualquer compaixão tentam os pobres Homens privados de querer.
E não há nada a fazer, a não ser constatar que as Sereias são para além de magnéticas, incontornáveis. Alteiem a voz e inundem os livros, as cartas, as músicas e a web de protestos. E acima de tudo resignem-se, sentem-se: baixa os braços Kafka; és escritor capaz de urdir um livro tão intrincado quanto o processo, mas és Homem que chegue para reconheceres o maior labirinto da Mulher: se o canto da Sereia é irresistível, o seu silêncio é ainda mais poderoso. Game over, nada a fazer.

Mas as Mulheres, Sereias, Musas ou Bruxas sempre carregaram o fardo da responsabilidade da falta de fibra de um Homem. A pobre da Musa deve inspira-lo. O poeta parco de palavras acusa a Musa de absentismo. Talvez também ela possua algum rabo de peixe e se atire a um qualquer local aquático, deixando a seco a prosa e a poesia.

E depois de tudo isto é engraçado lembrar que há Tritões, a versão masculina dos monstros do mar: metade homens e metade peixes.
Mas a esses ninguém liga. Talvez porque sejam feios, verdes e sem graça...ou talvez porque apesar deles, a nenhuma marinheira, dona de casa, frequentadora de praia, surfista, body-boarder ou mergulhadora tenha faltado a coragem para decidir mergulhar ou estender-se ao sol (qual bacalhau...que a pele morena atrai sempre um macho incauto, em igual proporção à alvura da sua tez).

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Recado em forma de búzio



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Por algum motivo alguém resolveu nomear de vagas as voltas do mar.
Talvez porque a natureza sinuosa da onda pareça quase inespecífica pela forma como simultaneamente se eleva e se desfaz.
É vago o espaço em branco de uma frase onde sabemos que uma palavra ficou por dizer. É vaga a resposta indefinida de um sim escrito, mas a lápis. E é vaga a força da água que tudo renova depois de tudo devastar.
Por mais que nos custe aceitar, o mar é mesmo assim contraditório. Tanto nos banha os pés numa carícia como de seguida escorrega em retirada.
Mas, ainda assim como podes questionar a água que te tocou os pés?

Tenho um recado para ti, em jeito de búzio largado na areia: se o encostares ao peito ouvirás para sempre o bramir das ondas.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

"O Alienista" de Machado de Assis


Ali é nada
Alienada

Duas palavras que diferem apenas nos lugares em que as letras se sentam.
O alienista é Sebastião Bacamarte, um médico que incorre pela investigação em psiquiatria para também tentar sentar a loucura e a razão nos seus devidos lugares.

Começa por internar na Casa Verde (manicómio à altura da sua iniciática investigação) os loucos como sendo todos aqueles que aparentam insistências de comportamento: a vaidade, a oratória excessiva, a tendência para a bajulação, a indecisão. No entanto, este critério parece a Sebsatião muito generalista, sendo quase a regra e não a excepção. E nesta coisa verde de iniciar uma casa que aliene os loucos, parece fazer sentido avaliar a proporção das coisas. A razão é conotada com a normalidade e a normalidade é conotada com a maioria. Então a razão deverá prevalecer, mas com tantos alienados de características insistentes, a loucura parecia bem mais numerosa.

Tal desiquilíbrio fez mudar o rumo da investigação. Soltam-se os loucos cheios de razão. Olha-se os racionais indegando loucuras ocultas.
Afinal, vasculhando bem, perante a ausência de uma característica poderá por anulação estar a necessidade da sua existência, ou pelo menos a característica complementar. Aquele que não é bajulador, não será emotivamente frio? O que não é vaidoso, não padecerá de falta de auto-estima? Onde está a paixão daquele que não esbraceja?
Pensa então Sebastião, que a ausência de insistências da personalidade, será afinal irracional. Alienam-se assim os sensatos na Casa Verde: aquele que não explode, aquele que não esbraceja, aquele que não se evidencia.

Mas eis que a ausência de uma característica se assemelha à presença de uma outra, o que iguala este grupo ao primeiro. O que os distingue então? Será possível separa-los?

É na tentativa de separar o (ir) do racional e de sentar a loucura e a razão nos devidos lugares, que Sebastião percebe a insanidade da sua tarefa. De louco, o médico tinha mais que pouco:
- Aliena-se o alienista.

Surge por fim alienada a razão e a loucura do seu lugar definido. Sebastião na Casa Verde amadurece a ideia de que-
ali é humanidade, nada mais que isso.

To be on the safe side


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Quando leio livros/textos que gosto
Vejo claramente que não sei mesmo escrever
E estar perante esta evidência é tão difícil como estar em frente a um espelho, despida e com 5 noites por dormir em cima
E nesse instante apetece-me muito fazer um grande DELETE em tudo isto

Pergunta: porque insisto?
Resposta: just to be on the safe side

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

"A epopeia de Mr. Skullion" de Tom Sharpe


Quando li o livro sorri por dentro.
Em vez de escrever sobre o college apetecia-me escrever sobre o department. Desde a empregada de limpeza que asseava eléctrodos com fabuloso e descobriu que o ácido sulfúrico não só limpa o chão como lhe faz um peeling, às cenas dos rissois congelados nas gavetas das amostras de urina. Dá-me vontade de rir.

Bem, mas voltando ao livro. Trata-se de uma verdadeira epopeia do porteiro de um college inglês no desejo que este se mantenha como sempre: gastador, corrupto, com passagens facilitadas às classes altas que o financiavam.
Do college saíam nomes sonantes da sociedade. (Qualquer semelhança com a nossa realidade política, que faz cursos extra-expediente ao fim-de-semana, é mera coincidência.)
Segundo Mr. Skullion o college é dos Lords e um Lord não é um intelectual. Nem é especialmente inteligente, ou literato. Um Lord é qualquer coisa de antigo que não precisa provar que o é. O Lord come naturalmente refeições avantajadas regadas de licor e charuto. O Lord despreza a mutação e é sólido como a tradição das estátuas de pedra. O Lord ajavarda e abusa de mulheres, mas faz isso com a naturalidade do poder. Um Lord tem uma biblioteca de livros falsos, onde cada livro esconde uma bebida.
O college é afinal um Lord onde a ordem e a tradição são os passeios da calçada. Os Lords fingem-se temerosos das regras restritas do portão de Mr. Skullion. Mas por fim apenas temem ser apanhados. De resto tudo se encaixa: aquele que não é apanhado, não cometeu falta. Os Lords não cometem faltas, pois não faltam ao prometido. O que se paga, não se vê. O que não se vê, não aconteceu.
No meio de um college com cada vez menos Lords, um jovem muito investigador e pouco Lord treme de desejo por uma imponderável empregada, roliça e mais velha. Nada de preocupante desde que não se vejam preservativos no páteo.
Explode o jovem e as curvas do seu amor sinuoso, mas salva-se a honra do college que enfrenta de pátio limpo os corpos que voam da explosão.
No college existe um Master. E o Master não existe para falar. "Reunir e planear" têm o mesmo efeito de uma colher inquieta no arroz em plena cozedura: estragam.
Afinal o college é uma trincheira, onde o Mr Skullion se refugia: da vida e da ausência de passado. Garantindo que o futuro não é afectado por isso.
Mas não há "bons" e "maus" nesta história do futuro contra o passado. O progresso é uma mulher sem vitalidade que defende causas fracturantes mas que rasga o silêncio com uma voz de K7 riscada: salvem as focas, e os animais em extinção!
E o marido, esse Master, quem o salva das garras do Mister (Monster?) Skullion? O marido Master, mostra-se um velho na eminência da promessa e nunca foi mais do que isso. Um velho a acabar os dias num cargo sem consequências. Sem grande passado e a tentar em vão afectar o futuro que, à semelhança do Mister Skullion, não tem. Mister Skullion versus Master escudo (escolhas, escusado?)
A epopeia de Mr. Skullion é a batalha do "velho do Restelo" contra o "bloco de esquerda" com um Louçã disfarçado de foca que vive na sua casa alugada (o coitado não tem bens materiais próprios e o aluguer assenta-lhe um carácter distinto...e da distinção à extinsão é um pequeno passo de foca).
A epopeia de Mr. Skullion é afinal uma página do Facebook onde a velha e redutora coscuvilhice humana se espande no moderno e amplo ciberespaço.
A epopeia de Mr. Skullion é num college, mas é afinal na humanidade.

Todos os livros que leio

A minha casa é pequena. E mesmo assim está cheia de livros que não li.
Tenho outros tantos livros que li e me esqueci e quando olho para eles dá-me uma angústia infinita de não saber para onde foram todas aquelas palavras.
Terá ficado alguma coisa cá dentro?
Um dia li um conto do Borges onde um homem sofria do mesmo problema que eu e escrevia nos livros para que ao lê-los soubesse que os tinha lido e o que tinha pensado/sentido.

A pensar nisso começo aqui hoje a leitura e (re)leitura de todos os livros que tenho.
Só irei parar quando não restar nenhum.

1º comentário que se segue e antes que se perca no vazio da minha memória deficitária será sobre um livro que me emprestaram: "A epopeia de Mr. Skullion" de Tom Sharpe.

Para já não. Sinto febre e preguiça. E vou ler para a cama as intermitências do Saramago

Carta aberta



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Trago uma carta na voz, como uma folha de Inverno que voa no vento e se cola à primeira árvore.
A carta que trago é uma sexta-feira, como esta.
Será que te cheguei a contar que as sextas-feiras são o meu dia favorito?
As sexta-feiras são cartas por abrir. São a promessa e o dia das possibilidades infindáveis.
Sorrio para ti como se visses.
Sei que sabes que me rio sem rosto. De resto sou assim como sabes.
Não penses que a memória me constrói. Eu sou como tu me soubeste. Tu és sem tirar nem pôr.
É o momento de te rires, condescendente. Ainda assim, perante a imponderável saudade que não manifesto, mas que nunca deixei de sentir, digo-te que tenho sempre uma carta para ti.
Ainda que te pareça apenas uma folha húmida de Inverno, arrastada pelo vento, esta carta que trago colada à voz é para ti e sempre foi, desde o tempo de todas as sextas-feiras.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Belos vencidos


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Ando a digerir há dias o concerto do Leonard Cohen.
E sinto-me um leão que acabou de devorar um animal de grande porte.
Como é possível?
Tanta beleza

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Dia 18 - Música preferida do ano anterior

Vou repetir a incontornável Cathy do Neil Hannon para o albúm mãe do Rodrigo Leão. Acho que parte do encanto da música é ver o franzino do Neil Hannon a agigantar-se. E quem é capaz de crescer assim, para lá dos limites impostos pela compleição física, só pode ter realmente uma Cathy a vaguear na mente. Acho que é a Cathy que ele vê quando fecha os olhos e canta com aquela voz vinda directa do sangue onde a Cathy vive. E o que eu vejo é essa Cathy contagiosa que nos infecta pelo olhar dele. E caramba, quase que me põe a mim a sentir amor pela Cathy!

Versão compacta


Versão completa

Dia 17 - Música ssssexy

Não sei bem dizer o que é sexy numa música. Às vezes é um baixo lá atrás que nos faz arrebitar a orelha, outras vezes são as palavras ou quem as canta que tem qualquer coisa muito ssss. Outras vezes é a voz simplesmente e não sei que outras razões misteriosas completamente imponderáveis, e por isso mesmo perfeitamente válidas, existam ainda para justificarmos as nossas impressões.
Aqui está um exemplo de como Tom Waits pode falar apenas (e de formigas) e o sssssss nunca o abandona. Muito bom


quarta-feira, 19 de maio de 2010

Dia 15 - Música para a banda sonora do teu funeral

Perfect day.

Gostaria que se lembrassem dos dias perfeitos, apenas

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quinta-feira, 13 de maio de 2010

Dia 14 - Música que ouves quando estás piursaaa

Já publiquei esta música, mas é inevitável, porque esta é a música que ouço quando me sinto zangada e tenho que escavar fundo para recuperar as forças

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Dia 13 - Música do albúm favorito

OK-COMPUTER Radiohead


terça-feira, 11 de maio de 2010

domingo, 9 de maio de 2010

sábado, 8 de maio de 2010

A thousand kisses deep - Leonard Cohen

You came to me this morning
And you handled me like meat
You’d have to be a man to know
How good that feels, how sweet
My mirrored twin, my next of kin
I’d know you in my sleep
And who but you would take me in
A thousand kisses deep

I loved you when you opened like a
Lily to the heat
You see I’m just another snowman
Standing in the rain and sleet
Who loved you with his frozen love
His second hand physique
With all he is, and all he was
A thousand kisses deep

I know you had to lie to me
I know you had to cheat
To pose all hot and hide behind
The veils of shear deceit
Our perfect porn aristocrat
So elegant and cheap
I’m old but I’m still into that
A thousand kisses deep

I’m good at love, I’m good at hate
It's in between I freeze
Been working out, but its too late
It’s been to late for years
But you look good, you really do
They love you on the street
If I could move I’d kneel for you
A thousand kisses deep

And I'm still working with the wine
Still dancing cheek to cheek
The band is playing Auld Lang Syne
But the heart will not retreat
I ran with Diz and I sang with Ray
I never had their sweep
But once or twice they let me play
A thousand kisses deep

The autumn moved across your skin
Got something in my eye
A light that doesn’t need to live
And doesn’t need to die
A riddle in the book of love
Obscure and obsolete
Until witnessed here in time and blood
A thousand kisses deep

I loved you when you opened
Like a lily to the heat
You see I'm just another snowman
Standing in the rain and sleet
Who loved you with his frozen love
His second hand physique
With all he is, and all he was
A thousand kisses deep

But you don’t need to hear me now
And every word I speak
It counts against me anyhow
A thousand kisses deep

Dia 9 - Música de embalar

Não se trata de fazer adormecer. Trata-se de dar vontade de fechar os olhos para ouvir. Trata-se de dar vontade de apagar a luz e desligar os sons do mundo para ficar a ouvir. Trata-se da capacidade de nos fazer sonhar acordados.

Dia 8 - In the mood for dance

Touch and go...este som e esta voz têm qualquer coisa irresistível


quinta-feira, 6 de maio de 2010

Dia 7 - Música que me lembra algo que aconteceu

Last night a little dancer came dancin' to my door
Last night a little angel Came pumpin cross my floor
She said "Come on baby I got a licence for love
And if it expires pray help from above



quarta-feira, 5 de maio de 2010

Dia 6 - Algum lugar

Armamar (Infância + juventude com a minha prima Noémia) e Porto (com a minha prima e meu irmão)



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Aberdeen (Erasmus)



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São Paulo



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Berlim - Café Burger

segunda-feira, 3 de maio de 2010

sábado, 1 de maio de 2010

Dia 2 - Música que eu detessssssssssssto

arghhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

(E os Delfins estariam ex-aequo)

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Dia 1 - Música Preferida

18 dias, 18 músicas

A idéia não foi minha, mas gostei e adaptei

Dia 01 - Música preferida

Dia 02 - Música que mais se detttttesssta

Dia 03 - Música in the mood for happiness

Dia 04 - Música in the mood for sadness

Dia 05 - Música que me lembra alguém

Dia 06 - Música que me lembra de algum lugar

Dia 07 - Música que me lembra algo que aconteceu

Dia 08 - Música in the mood for dance

Dia 09 - Música de embalarzzzzzz

Dia 10 - Música da banda favorita

Dia 11 - Música que ninguém espera que eu goste

Dia 12 - Música que me descreve (enfim...)

Dia 13 - Música do album favorito

Dia 14 - Música que ouves quando estás piurssssaaa

Dia 15 - Música que queres que toque no teu funeral

Dia 16 - Música que te faz carregar no acelerador /vruuuummmmm

Dia 17 - Música sssssexy

Dia 18 - Música preferida do ano anterior

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Faiz Ali Faiz....what else?


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sexta-feira, 23 de abril de 2010

O boletim de análises


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Se me sinto assim, como hoje, procuro um velho boletim de análises, que me assegura a existência da normalidade.
Diversas setas apontam os limites e os desvios. E parametricamente eu sinto que pertenço à humanidade por afinidade de enzimas hepáticas.
Repouso a cabeça no hemograma. Mas de esguelha vejo o pombo, que bica o bonsai da janela. E num instante sinto um estranho parentesco com esse pombo, que bica o bonsai da janela. Desde a vontade de bicar, até à vertigem do parapeito. Eu e o pombo que bica o bonsai temos tanto em comum, que as enzimas hepáticas só podem ser mera coincidência.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Som apenas


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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Sobre viver


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Instruções de funcionamento:
1) Preparar o dia como uma sandes de presunto
2) Comê-lo à dentada sem receios calóricos
e desejar avidamente uma sobremesa inexistente
3) Sorrir e imaginar que da boca luzem diamantes
de luxuriante brilho
O cemitério de quem tenta abater-te
é feito das lápides brancas do teu riso

4) Crescer, quando te mingam a altura
5) Atingir vertiginosas posições
para que nunca te baixes para ver o que rasteja
6) Brindar, brindar ao teu mundo intransponível
7) E sorrir secretamente por não deixares de sentir
que irás sobreviver
incólume