sexta-feira, 25 de maio de 2012

O que é Nacional é Bom #9 - Jorge Palma


__________________________________


Com uma ligeira insónia matinal que dura desde as 5 da manhã, lembrei-me que um dos meus preferidos nacionais é o Jorge Palma e acordei com esta música na cabeça, bem a propósito (da insónia e dos pensamentos que me embalaram):

Eu não sou quem tu desejas
Eu não sou aquele que beijas
Sou um mero pesadelo ou fantasia

Eu sou muito mais que velho
E intimido qualquer espelho
Sou o amigo mais funesto da poesia

Sou um tipo de morcego
Que é completamente cego
Embora, às vezes, seja fã do fritz lang

Sou uma espécie de vampiro
E quando sobre ti me atiro
É para saborear um pouco do teu sangue
Só para beber gota a gota o teu sangue

Tu não sabes de onde venho
Dás conversa a qualquer estranho
Ainda vais beijar-me os lábios docemente

Não confias nos teus pais
E acreditas que os jornais
Só relatam a verdade doutra gente

Sou um tipo de morcego
Que é completamente cego
Embora, às vezes, seja fã do fritz lang

Sou uma espécie de vampiro
E quando sobre ti me atiro
É para saborear um pouco do teu sangue
Só para beber gota a gota o teu sangue

É para saborear
Um pouco do teu sangue
Só para beber
Gota a gota do teu sangue

É só para beber
Gota a gota do teu sangue

quarta-feira, 23 de maio de 2012

canção de embalar de hoje: Army of Me



___________________________

E porque já falei muito e a música diz sempre muito melhor que eu.

Se Vronsky tivesse poderes telepáticos para chamar Anna

É escusado apelar às escuras, evocando o poder secreto que a ausência da luz pode trazer a esta sala, iluminada apenas pela tela branca onde desenho palavras com todo o esforço e nenhuma vontade.
Questiono-me, se em algum lugar, quem sabe na mesma parte onde estas palavras desembocam, estarás também alerta para o poder que esta luz solitária tem de levantar memórias, tão escuras como onde também te imagino.
Desconfiei sempre deste pedir telepático. Concordava com ele para que me não achasses um cínico total, descrente do poder da vontade.
Sempre tive um desejo concreto de te ver. E sempre suspeitei de elaborações teóricas sobre a cosmologia dos encontros. Mas isso é porque nunca olhei como tu, para as paredes. Nelas sou incapaz de ler mensagens ocultas para lá da corrosão e grafitti.
Se um Índio me enviasse sinais de fumo, pensaria com certeza não serem para mim. Ou encolheria os ombros perante a perspectiva de um céu mais poluído. Essa é a nossa principal diferença. Sinto mais os sinais por dentro da pele, do que os de fora do mundo. 
Sou um cínico, bem sei. 
Falo-te de nós e dos outros com aquela inadaptação adolescente de alguém que custa a aprender que os outros são tanto como nós. 
Mas não desisto de tentar ser menos eu e menos eles. Sou um cínico que desejava ser crente. Ter o poder de acreditar.
Queria acreditar que, mesmo sem a minha ajuda, a palma da minha mão me mostrará o futuro em linhas. Mas o cinismo deu-me uma cautela áspera e a minha mão é ilegível sob esta luz de sala escura. Nela apenas tacteio os sulcos onde por vezes, por consideração a ti, te imagino a caminhar. Quase me alegro quando te pareces dirigir pela linha da minha mão ao meu dedo mindinho. Fazes-me cócegas quando me queres fazer sinais.

O romancista ingénuo e o sentimental de Orhan Pamuk



Quando tento perceber em mim alguma vontade que nunca me abandona, essa vontade sobrevivente é a leitura.
 Acabei de ler este livro de Orhan Pamuk que é uma publicação das palestras que o escritor turco deu em Harvard (porque é que temos a mania de dizer a nacionalidade do escritor? como para pôr os pontos nos "i"...escritor "turco" e tomem lá mais uma catalogação: "prémio Nobel").

Em relação ao livro, tudo se resumiria a dizer, que segundo o Ohran, o romancista deve alternar entre a ingenuidade da escrita (aquela que surge da espontaneidade e do prazer um pouco inconsciente) e o lado sentimental reflexivo, aquele que envolve pensar na construção do que se escreve. Ohran fala também na importância do centro do romance, que seria qualquer coisa como o que está subjacente, qual o cerne,  qual o coração do romance? A este respeito fala da alegria de ser leitor de um romance bem urdido, como aquele romance que revela o seu centro, mas que não é explícito, obrigando a que o leitor persiga esse centro e o compreenda de forma intermitente. Sendo que esta alegria de elucidação, intermitente e conquistada, é o que faz com que o leitor sinta que aquele romance o destaca como "o leitor" bem sucedido: aquele que consegue decifrar o centro de um romance não totalmente explícito. É também esta sensação de exclusividade que conferem uma voz confessional ao romance, dando ao leitor a sensação de que algo lhe está a ser confiado e só a ele.
Ohran que se assume como escritor visual e que queria ser pintor antes de ser escritor explica também como acredita na forma de construir um romance como uma pintura, em que árvore a árvore o leitor vá descobrindo a floresta. Em relação a este tópico Orhan diz algo interessante. Por vezes as descrições num romance não fazem parte da paisagem de uma forma meramente descritiva, mas fazem parte do "ambiente" do romance, inclusivamente são extensões das personagens, pois são o ambiente que nos é dado a ver, muitas vezes pelas próprias personagens ou em complemento a elas. Exemplifica com uma passagem do "Anna Karenina" de Tolstoi em que a vista da janela do comboio numa viagem entre S. Petesburgo e Moscovo, nos é dada a ver por Anna. E a neve que cai na paisagem exterior da janela do comboio, verosímil no inverno russo, também é totalmente concordante com o inverno do interior de Anna, que se debatia com a tristeza de se ter sentido feliz a dançar com um homem sendo casada com outro. Achei curiosa essa reflexão, bem como a reflexão sobre a classificação de Tolstoi como um romancista visual e Dostoievski como romancista verbal. Realmente este último é muito mais espartano em descrições e muito mais rico na caracterização psíquica. Todas estas reflexões são  interessantes, como é interessante a analogia entre o romance e as pinturas japonesas. Estas eram consideradas belas, pois mostravam imagens muito abrangentes e quase etéreas, como se o pintor estivesse a pintar a paisagem vista do topo de uma montanha ou se pairasse sobre o que via. No entanto o pintor japonês apenas pinta como se estivesse a voar sobre a paisagem, mas está com certeza sentado dentro de uma das casas que representou vista do céu. Também o romancista deve dar uma imagem abrangente do romance como se pairasse sobre todo ele, ainda que o tenha de fazer de muito próximo, página a página.
Este livro trata-se então da visão do escritor sobre o género literário romance, sobre os tipos de romancistas e até sobre os leitores. Embora me interesse o tema, fiquei de longe mais fascinada com uma ideia peregrina de um desejo que me resta: ler. Se há pessoas que escrevem e que vivem da escrita (mal decerto, e há pouco quem viva somente da escrita) também poderia haver a profissão de leitor. Não, eu não quero dizer que o meu desejo é ser paga para ler e criticar os livros...isso é ser crítico literário ou trabalhador de uma editora. Não mesmo. O meu desejo era ser paga para ser leitora apenas. Essa sim era a melhor profissão do mundo. Perguntar-me-iam nas consultas dos médicos: qual a sua profissão, para pormos na fichinha: Leitora. Soava bem.
Mas, não sendo possível ser leitora de profissão, contento-me em ler de graça. E a graça deste livro também não é propriamente a opinião de Orhan Pamuk sobre os romances e romancistas. Opiniões há muitas e penso que a tentativa de catalogar ou aplicar um algoritmo que defina a estrutura de um bom romance é muito redutor e sujeito a debate. Para mim a graça deste livro está na opinião apaixonada que Orhan leitor tem sobre os romances que leu. Como ele descreve o alheamento e alegria que se conseguem com um livro. Como se consegue identificação com as personagens e como se consegue um diálogo silencioso entre a palavra escrita e a forma como a lemos e nos apoderamos dela.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

O que é Nacional é Bom #8 - Manuel Cruz



A dor de ter de errar


eu não deixei de ser mordaz
mas sinto a dor de ter de errar
só temo nunca ser capaz de ouvir

a dor é perto da cabeça
aflora sangue a bom licor
só peço a mim que não me esqueça de ouvir

__________________________________________



_________________________________________




Noções para viver sem ti


não queiras saber o que eu já pensei de ti
na negação da tua ausência fui esgotando a minha lista
e o que eu ganhei
tanto quanto eu sei
são noções pra viver sem ti

__________________________________________

Já é sabida a admiração que tenho pelo Manuel Cruz. Embora goste muito dos saudosos Ornatos Violeta, gostei ainda mais do MC nos Foge Foge Bandido. Aqui em dose tripla deixo: "Dor de ter de errar";  "Ainda pode descer mais" e "Noções para viver sem ti", simplesmente porque não conseguia escolher e todas e cada uma delas é a mais perfeita expressão musical do que sinto em dias como este em que pouco tenho a acrescentar ao mundo

Um sussurro

Diz Ohran Pamuk que o facto de "levar a sério" os romances fez com que "levasse a sua própria vida a sério", por perceber que as personagens tinham a "capacidade de influenciar a acção", percebendo assim por analogia que "os seus actos teriam reflexos na sua vida".

sábado, 19 de maio de 2012

Des(norte)ada



Interessante o facto de a perda do norte ser um sinónimo de perda de orientação. Tem a ver com certeza com o que dizíamos sobre a bússola que aponta o norte magnético terrestre. 
Mas se a terra é um grande iman, o que seremos nós? 
Seremos apenas conduzidos nesta atracção para um polo? 
Ou não seremos nós também polos actuantes sobre os outros e sobre todas as coisas?
Se existe uma declinação entre o que a bússola aponta e o norte que é, não teremos nós também declinações entre o que queremos seguir e o que realmente nos magnetiza?
E porque é que na linguagem de um modo inconsciente usamos palavras descritivas deste magnetismo? Porque falamos em atracção entre pessoas? Porque classificamos alguém de magnético? 
E porque é que a consciência de tudo isto vem depois da sensação? Como se algo em nós soubesse melhor e percebesse primeiro...instintivamente.
E às vezes reconheço que algumas coisas têm que significar mais do que aparentam. 
Os livros e as viagens que inconscientemente escolhi são bússolas afinal.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

O que é Nacional é Bom #7 - Rodrigo Leão


_______________________________________________

Não há uma música do Rodrigo Leão que eu não goste. Todas as músicas dele são preciosas obras de arte. Todas as músicas dele são cerebrais e complexas e maravilhosas. É de momento quem mais gosto de ouvir dos nossos nacionais. É com quem mais me identifico. É quem melhor traduz o que me sinto. Acho que ele é uma pessoa que conduz milimetricamente a sua carreira. E imagino que seja um perfeccionista, pois todas as suas colaborações com artistas convidados têm sido extremamente bem conseguidas. E todos os seus temas instrumentais são absolutamente belos.
É um orgulho e um privilégio ser contemporânea do Rodrigo Leão e poder ficar simplesmente à espera da sua música.
De tantas opções para seleccionar incluindo do último álbum montanha mágica resolvi no entanto escolher esta Voltar que me volta sempre à cabeça em dias frequentes em que a minha rádio mental sintoniza Rodrigo Leão.


O mundo do fim do mundo de Luís Sepúlveda

Este livro não tem nada de interessante a assinalar. A não ser a recordação de quem mo deu. Marco Mirinha, um rapaz idealista, biólogo, amante da serra da ossa e exímio a tirar fotografias à natureza. E nesse sentido fez todo o sentido (mesmo assim de forma redundante) rele-lo. Caiu-me da estante e vi na primeira página um autógrafo do próprio Luís Sepúlveda que encontrei numa das suas vindas a Portugal, já não sei se à FNAC ou a uma feira do livro. Sinceramente não sei por que motivo eu tinha o livro comigo e por que motivo me dispus a estar na fila à espera de um autógrafo do Luís Sepúlveda. Toda a situação é-me tão estranha e inverosímel que me soa a um sonho, que só percebo não ser fruto da minha imaginação, quando leio a dedicatória da qual também não entendo o contexto:

Para Marlene, con mis mejores deseos
Para la lucha que continua
y vale la pena luchar

Não sei que terei dito eu a Luís Sepúlveda. Ou se o facto de o mundo no fim do mundo, um livro sobre a luta da causa quase perdida de defesa da caça das baleias, tenha dado o mote para uma mensagem de esperança e de combate. Ou se eu terei dito algo sobre mim e certamente sobre algum período difícil que atravessava. E assim faz sentido esta mensagem que me caiu da estante.
Não sou nada crente, mas há alturas da vida que é preciso acreditar, nem que seja por mera necessidade. E por isso quero acreditar que o Marco Mirinha (porque é que eu deixo estas pessoas desaparecerem da minha vida) ou o Luís Sepúlveda nas suas formas aguerridas de lutarem para defenderem a natureza e os seus ideais me estejam a querer empurrar para a determinação de uma luta. Porque um ideal é sempre um ideal. No fim do mundo, na serra da ossa, ou dentro de nós.

A tia Júlia e o escrevedor de Mario Vargas Llosa


Este é um livro ideal para quem quer um livro divertido, mas bem escrito.

É muito difícil encontrar estas duas características num livro. Normalmente quando os livros são leves de tomar como uma água são aborrecidos, mal escritos e de fórmulas gastas. Ou quando são muito bem escritos são normalmente exigentes do ponto de vista emocional. E eu não me poderia dar ao luxo de ler algo que tomasse conta de mim. Pensei por isso imediatamente em escritores da América do Sul, que normalmente são os meus autores preferidos em tempos frágeis. E optei por este de Mario Vargas Llosa, de quem ainda não tinha lido nada.
Fiz uma boa opção. Este é um romance muito interessante sob o ponto de vista formal e que contém ainda uma boa dose de humor e um tom muito alegre.
É quase um romance autobiográfico, pois Marito ou Varguitas, ele próprio, é o personagem principal e narrador. Varguitas é um jovem de 18 anos, estudante de direito e trabalhador numa rádio, onde a sua função é reunir notícias dos jornais diários e fazer o próprio serviço noticioso da rádio com base nessas notícias. Também faz parte das suas funções conter os ímpetos do Pascoal, um diligente colaborador que adora notícias com mortos e pormenores mórbidos, sendo capaz de em cada descuido de Varguitas ocupar um serviço noticioso inteiro com a descrição de um terramoto e suas vítimas.
Varguitas é uma daquelas personagens promessa, com muitas potencialidades mas algum ócio de viver. Inteligente, vai fazendo o curso de direito sem grande esforço, nem resultados brilhantes, e leva uma vida de algum descuido, adiantando serviços noticiosos para passear pelas ruas de Lima. Toda a vida ainda adolescente de Varguitas muda com a chegada de duas personagens. A tia Júlia, mulher madura de 30 anos, divorciada e que chega a Lima à procura de um pretendente. E Pedro Camacho - o escrevedor. O termo "escrevedor" e não "escritor" não surge por acaso no título do livro. Pedro Camacho é uma personagem com uma imaginação prodigiosa, contratado pelos patrões de Varguitas para ser o argumentista, director e actor de radionovelas. Pedro Camacho escreve e trabalha a um ritmo alucinante produzindo enredos diversos que passam várias vezes ao dia na rádio e que prendem a atenção de todos os ouvintes. Varguitas, que ambiciona ser escritor, começa a interessar-se por Pedro Camacho, percebendo no entanto rapidamente que ele só escreve, mas não escreve. Com a cadência com que escreve, Pedro Camacho não tem tempo de ler e nunca leu nada a não ser um livro de citações famosas que transporta para todo o lado como a uma bíblia. E Pedro Camacho nem sequer extrai a sua escrita da vivência, pois a sua vida é limitada a intervalos para chá de menta e uma morada espartana num quarto onde dorme e ainda assim dorme pouco. Todo o resto do tempo é usado para escrever os guiões das radionovelas. Por isso é no termo "escrevedor" e não "escritor" que se encontra o desejo de distinção em relação aquilo que Varguitas quer ser e aquilo que Pedro Camacho é.
A tia Júlia por sua vez é o desejo da vida adulta de Varguitas. Uma mulher bonita e atraente, pela qual Varguitas sendo menor (a maioridade ocorria aos 21 anos) tem que fazer uma série de sacrifícios: contrariar a família, ter um amor mal visto pela diferença de idade e grau de parentesco (ainda que ela seja sua tia apenas por afinidade); casar escondido e forjar papeis de identificação e arranjar uma série de empregos para conseguir sustentar a vida a dois. No fundo estas duas personagens vão balizar a entrada de Varguitas na vida adulta e por isso o fascinam. Pedro Camacho é essencial para Varguitas entender o papel de um escritor e para perceber com convicção o que quer ser, ele que havia apenas sido escritor em tentativas pouco convictas. Júlia é essencial para que a vida de Varguitas se complique e deixe de ser branda e sem desafios como era. Só assim com a visão do escrevedor (como a imagem especular do não-escritor) e das dificuldades que a vida prática impõe é que Marito Varguitas desperta para ser Mario Vargas.
A estrutura do romance faz-se numa alternância entre as histórias das radionovelas e a história de Varguitas. E a cada capítulo há uma história diferente onde Vargas e não Varguitas, mostra mestria em agarrar o nosso interesse, constantemente bruscamente interrompido para retomar a história nuclear de Varguitas e mais à frente incluir nova história que novamente nos seduz e novamente é interrompida sem desenlace. Parecendo quase uma lição que Vargas impõe ao leitor sobre essa diferença entre ser "escrevedor" e "escritor". Vargas exibe-se e mostra-nos que pode fazer de Pedro Camacho e Varguitas.
No final um tom algo moralizador para o insucesso esperado de um escrevedor. Pedro Camacho no auge do seu desaire imaginativo começa a confundir as personagens das radionovelas. O capitão Lituma que encontrou um emigrante ilegal africano e recebeu ordem para o matar, passa a entrar no papel de polícia que assiste ao acidente com um delegado de propaganda médica. E este último é o mesmo que esfaqueia o dono da pensão e o dono da pensão entra na novela do tocador de violão apaixonado pela freira, mas a freira é a mesma menina que havia sido violada por um jeová e também é a mesma de quem o árbitro de futebol se apaixona numa outra novela. Enfim, uma torrente de personagens que existem em contextos diferentes como se se transmutassem e fossem transversais a cada história. Como se Pedro Camacho fosse todas essas personagens e por isso elas surgissem em todas as histórias sem controlo. O que é certo é que os ouvintes das radionovelas começam a estranhar que haja esse derrame de histórias umas nas outras num acelerar vertiginoso que acompanha o cansaço da mente de Pedro. Até que Pedro Camacho, no desespero de não controlar o fenómeno de mistura de nomes e histórias, resolve num acesso shakespeariano matar todas as personagens em grandes acidentes e tragédias, para assim tentar recomeçar do zero. E aqui o livro atinge o ponto máximo do risível onde os fins bárbaros e apoteóticos dos diversos capítulos se sucedem, mas ainda assim com uma consanguinidade tal entre histórias, que a mesma personagem morre de diversas formas mais do que uma vez.
É assim o fim da carreira de Pedro Camacho, hospitalizado num manicómio. E é o fim de Varguitas com o início de Vargas o escritor, ele mesmo que haveria de dar em suas obras outras vidas às vidas esboçadas pelo escrevedor.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

O que é Nacional é Bom #6 - Luísa Sobral


__________________________________________________

E numa overdose de música lusa, remato o dia de hoje com Luísa Sobral e esta Clementine.
Clementine com o mundo ao colo.
Clementine que é parte do mar e que nocturna vagueia cheia de olhar e nenhumas lágrimas.

Clementine was born not to be
Born not to love
Like you and me

No one has ever seen her cry
But hidden in her eyes
There’s a whole wide see

Clementine walks around at night
Talks the moonlight into sleep
Wakes up slowly taking her time
She has no one to meet

No one wonders where she’s from
If she has ever had someone of her own
She is just a part of the sea
A part of you and me

Clementine reads all day long
Carries the world of someone unknown
Finds her castle
Sits on her throne
Then she is not alone

O que é Nacional é Bom #5 - Linda Martini


_________________________________________

Num registo totalmente diferente também encontro aqui marcas da portugalidade unicamente detectáveis pelo orelhão (o tal órgão mutante, versão evolutiva de um coração que ouve). Gosto muito e gosto muito também de me deparar com grupos novos, tão interessantes, intensos, e tão bons.

O que é Nacional é Bom #4 - Carlos Paredes



_______________________________________

Num "o que é Nacional é Bom" nunca poderia deixar de fora o Carlos Paredes. A música dele emociona-me muito e se há algo que expresse a língua portuguesa melhor que muitos textos eloquentes, é o som desta guitarra. Quem compreende este som sabe o que é ser português. É uma linguagem aposta nos genes, por intermédio de uns órgãos mutantes que resultam de uma qualquer etapa evolutiva entre o ouvido e o coração. Como se a dada altura da nossa vivência nascêssemos mais portugueses do que nos deitamos. 
Foi assim comigo. Ouvi esta música pela primeira vez há muitos, muitos anos e no outro dia já não era a mesma. Ou era mais um pouco de mim do que o costume.
E agora mesmo que me banhe no Índico ou mergulhe no Pacífico, esta guitarra não desbota e está inscrita junto às guaninas e às timinas fazendo a dupla hélice rodar em dias de vento.

O que é Nacional é Bom #3 - Dead Combo



________________________________

Ainda bem que os Dead Combo finalmente deram nas vistas nos States graças ao programa "No reservations".
A minha vista há muito tempo que já tinha dado com eles, primeiro nas noites do ritual no palácio de cristal no Porto. Depois comprei bilhetes para os ver no teatro circo em Braga com a royal skulls orquestra (orquestra das caveiras...ehehe mesmo apropriado) e faltei por uma maldita sina chamada Hamburgo que me desvia sempre dos meus compromissos musicais.  E com o seu segundo álbum "quando a alma não é pequena" tenho vindo a acompanhar as minhas viagens físicas e mentais.

sábado, 12 de maio de 2012

Geni e o Zepelim


______________________________

Alguém um dia dizia que não se deve tomar nenhuma resolução depois das 2 h da manhã. Penso que é uma verdade para tudo, inclusivamente para escrever. Não se deve escrever depois das 2 h da manhã.
Porquê? Simples, porque depois das 2 da manhã sentimos uma falsa invisibilidade. Sentimos mais o mar e menos as pessoas e cremos que o mundo é mais daqueles que persistem despertos. Por isso escrevo aqui sobre a premissa do erro.
Sempre tive a mania de disputar os espaços menos disputados. Os meus irmãos em pequenos registavam os seus records dos jogos do spectrum 48K num caderno, quase sempre em jogos de acção ou de desportos. Jogavam os jogos olímpicos e detinham todos os records de todas as modalidades. E eu escolhia os intervalos em que eles subiam ao pódio uma e outra vez, para jogar os jogos que eles não queriam. Normalmente eram jogos parados, de encontrar pistas e objectos. Ou então jogos aborrecidos com gráficos pouco evoluídos. E eu detinha todos os records de todos esses jogos renegados. Era a campeã dos jogos preteridos.
E engraçado como coisas aparentemente tão pouco determinantes como essa, podem de facto imprimir uma tendência nas nossas vidas.
É dessa auto-exclusão que fala a maravilhosa música do Chico Buarque: Geni e o Zepelim. Geni de uma moral mal compreendida amava os pobres e os lazarentos, os cegos e os errantes, mas nunca um homem nobre a cheirar a brilho e a cobre. E se numa visão superficial vemos Geni a ser excluída, apedrejada, a verdade é que a Geni se autoexclui.
E eu não sei a que propósito, mais de 2h depois das 2h da manhã, num pecado duplo de falta de sensatez, venho aqui sentir afinidades com a Geni. Sentir que percebo essa sensação constante de auto-exclusão de um mundo onde o cheiro a brilho e a cobre me dão uma náusea profunda e uma vontade imensa de fugir. E de me agarrar à primeira vida menos invejada que alguém possa conceber. E de excluir da minha vida todos aqueles que toda a gente ama. Todos aqueles que toda a gente adora adorar e que adoram ser adorados. E ficar apenas com os sombrios, os escuros, os pouco sorridentes. Ficar com os difíceis. Os que ninguém quer conhecer.
Uma coisa aparentemente pouco determinante imprime uma tendência, de facto. E eu sou ainda a mesma que ficou com o gato que ninguém quis, por não ter pêlo e ter tinha. E que apanhou a tinha mesmo sem ninguém querer. Fui eu quem escolhi a única gata que não queria dormir, da ninhada que ninguém queria manter. Sou eu mesma que tive amigos que ninguém queria. Sou eu mesma que amei o gato saci de 3 pernas, o mais fraco e preterido até pela mãe gata. Fui eu quem ficou com o cão que ia ser abatido. Com o estágio na farmácia que ninguém escolheu ou disputou.
E sou eu mesma que com fibra de Geni decido a horas erradas que estou certa. E que me excluo da vossa inclusão. E assumo o quanto me cansam. O quanto me cansam.


sexta-feira, 11 de maio de 2012

O que é Nacional é Bom #2 - Bernardo Sassetti



_________________________________

Se o dia estava triste, desbotado e cinza.
Agora muito mais entristeceu, porque pleno de uma sombra densa de mais uma enorme perda.

Epicurismo ou adaptação


Da minha estadia em São Paulo trouxe muitos livros que a Io me ofereceu na mesma generosidade com que me presenteava com os frutos exóticos. Todos os dias de manhã antes do trabalho no laboratório, um sabor diferente: mamão, fruta do conde, pitanga, goiaba, mangostin, acerola, caju, jabuticaba, carambola.
Os livros surgiram numa correria que ela fez no último dia, com um aviso de "não vá sem eu voltar". E sei que essa oferta de último instante se deveu ao dia anterior. No dia anterior, tinha sido a festa da minha despedida e eles, Io e Hernan, só me ficaram a conhecer melhor nesse dia, nessa noite. O Flávio e o Guilherme já sabiam há muito, muito mais sobre mim em 2 meses do que todos os amigos que eu tinha em Portugal. É estranho essa vulnerabilidade exposta que assumimos com pessoas que desconhecemos. Mas os brasileiros também têm essa característica boa e má de forçarem algumas barreiras.
Pois no fim de semana anterior à minha festa de despedida eu tinha ficado sozinha em casa e resolvi sair pelos meus sítios favoritos em São Paulo. Fui ao MASP, ao trianon, à praça benedito calixto ouvir chorinho no sábado e deambulei também pelas feirinhas da praça da república e da liberdade em busca dos presentes para trazer. E como tive tempo, resolvi entrar numa virgin megastore e comprar música portuguesa para oferecer. Só havia Madredeus (e é muito bom, mas gostaria de dar outras coisas) e gastei o que eles dizem, uma nota preta, pois comprei todos os cds. Depois em casa, instalada na rede da varanda resolvi fazer uma brincadeira. Jogaria ao amigo imaginário na entrega dos cds de presente. E fiz um poema para cada pessoa, que contivesse as características de cada um, mas sem dizer o nome. No final de ler o poema a pessoa deveria adivinhar para quem era aquele Madredeus. E assim, me vi pela primeira vez numa situação de quase protagonismo, a ler poemas e a fazer as pessoas rir e chorar numa despedida alegre e muito emotiva. No final da festa de despedida, Hernan, o perfumado, abraçou-me com força e disse-me uma coisa que me deixou triste e alegre: menina, você podia ter avisado que era assim tão inteligente. Fiquei com a sensação que ele me deveria achar uma tontinha, e de facto ele tem um ar tão confiante que sempre que tinha que falar com ele, eu só dizia disparates, pois intimidava-me muito (ainda me lembro da minha vergonhosa apresentação do meu trabalho e de como a minha incapacidade de argumentação perante as questões dele me fizeram evoluir).
Enfim, o que é certo é que a Io, no dia seguinte pensou que eu afinal não gostava apenas de fruta e me trouxe um saco de livros dizendo que eu precisava ler cada um deles para dar continuidade ao meu gosto pelo Brasil e pela cultura. No saco estavam preciosidades: Guimarães Rosa (o grande sertão veredas); João Cabral de Melo e Neto (Morte e vida de Severina do qual eu conhecia a versão musicada); Machado de Assis (Dom Casmurro); Guarani (José de Alencar...esse eu já tinha lido).
Vim cheia de música também. A Japinha que partilhava o quarto comigo encheu-me de Barão Vermelho e Cazuza. O Flávio gravou-me todos os Legião Urbana, Pixinguinha e Hermeto Pascoal. O Guilherme deu-me uakti, para além de inúmeras sugestões futuras e uma amizade que persiste.

Mas tudo isto para dizer que uma frase do próprio Guimarães Rosa poderia dar título à minha estadia em São Paulo: Felicidade se acha só em horinhas de descuido.

Aquele foi um tempo em que não dei conta que era feliz. Aconteceu. Por muitos motivos, entre os quais a sensação de passagem. A liberdade do desconhecimento. O tempo para viver. E também pelo facto de aquelas pessoas se terem disposto a quererem saber quem eu era. Nunca antes ninguém o tinha feito com tanta veemência.

De volta à vida comum, menos descuidada, na maioria dos dias é bem verdade que sigo um trajecto não direi hedonista que seria exagerado, mas epicurista e de adaptação. Procuro mais do que ser feliz, fugir da dor.
Até nos livros que consumo faço um rastreio minucioso dos seus efeitos. Por exemplo ultimamente, li uma viagem para a Índia que pretendia reler, mas percebi que não posso, para já. Segui então para o nocturno indiano de Tabuchi e restabeleci-me um pouco. Prossegui caminho para o Mario Vargas Llosa (Tia Júlia e o escrevedor) que acabei e me deixou de bom humor e com coragem para incursar no viagens (uma compilação lindíssima de poemas de Fernando Pessoa e heterónimos), e ainda a meio tive que desertar para reler o fim do fim do mundo do Sepúlveda que me caiu da estante como que a dizer, agora sou eu.

E assim a minha tendência epicurista para dar prevalência à intenção e a outras tantas características mais sonhadoras que concretizadoras, é também uma adaptação. Para que possa ter horas de descuido.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O que é Nacional é Bom - 1 - Samuel Úria



_________________________________________________

Já há muito tempo que no supermercado fujo dos alhos chineses e das laranjas espanholas.
Não se trata  de chauvinismo, trata-se de ter concluído muito fortemente que quando em pequena me considerava "uma pessoa do mundo", era simplesmente ingénua. (é de família, o meu irmão fez cartões profissionais a dizer que a sua profissão era "Livre pensador"...ingénuo ao cubo)
É verdade que é um acaso, nascermos num local. Mas se insistimos nesse acaso e aí ficarmos corremos o risco de sermos afectados para sempre. Eu fui afectada para sempre pela língua portuguesa. Mesmo quando pouco viajada achava que outros lugares teriam tudo de melhor. Cedo concluí que não têm. Não porque não tenham mesmo, mas porque não têm o que me construiu.
Não acredito que cresçamos apenas para o alto. Eu cresço para dentro e quase impludo com falta de espaço interior para tanta sede que tenho. E se o faço é porque o acaso ditou que aqui nascesse e falasse com estas letras, que são as únicas no mundo inteiro onde me imagino morar.
Resolvi por isso aqui criar mais um daqueles projectos inacabados que gosto de começar e que de repente me esqueço e viro como um barco a seguir outra corrente. Mas fica a intenção, que para mim é a mais bela das utopias. As pessoas criticam severamente as intenções e aplaudem as acções.Mas eu gosto muito mais de um bem intencionado do que um intrépido actuante. E também essa minha preferência está em consonância com o meu desejo de estrugir e fazer sumo em português. Porque a característica mais utópica e bonita do tecido português (esse não sei quê que todos partilhamos) é intencionar mais do que agir. Que ajam os alemães que têm jeito para as máquinas e para despacharem o almoço às 11 da manhã ensopado em sauce. Eu cá prefiro ter a intenção  de trabalhar (ohne sauce aber mit bier!) e pelo caminho perder-me de amores por uma música.
Ah esqueci-me de dizer qual a nova intenção: todos os dias um O que é nacional é bom.

e já agora:

INTENÇÃO:

1. Resultado da vontade depois de admitir uma ideia como projecto
2. O que está planeado ou se pretende alcançar

versus

ACÇÃO:

1. Manifestação de uma força
2. Movimento ou actividade para obter um resultado

Não é evidente que a intenção é muito mais bonita? A intenção vive no plano cósmico, da teoria, do plano e da ideia. Alimenta-se da vontade. A acção é muscular, mexida, bruta... enfim cansativa




quarta-feira, 9 de maio de 2012

Música que passa na minha cabeça feita num 8 #1



_______________________________________________

Esta cabeça twisted num 8 não é a mesma que dirigia o 205.
E hoje Marisa Monte é 2 sweet, 2 much
Pelo que a substituo já pe1os white stripes e este 7 nation army

só para não ficar 100 a senda numérica do meu m00d



Música que passava no meu peugeot 205 #5



___________________________________________________

Conheci a Marisa Monte pelas minhas divagações pelo all music guide, meu desporto favorito de compensações pós-exames.
Assim, para levar a bom porto as épocas de exames da faculdade, no dia de cada exame, o meu prémio era ficar a deambular pelo site do AMG. Tudo funcionava mais ou menos desta forma: pensava num grupo de música, ou numa música que gostava muito. Pesquisava no AMG e depois havia uma parte no site que dava sugestões: "quem gosta disto, normalmente também gosta de x...e o link". E assim ia de x em x e de gosto em gosto a percorrer uma estrada musical ouvindo pelo caminho exemplos de músicas dos autores ou grupos sugeridos. Como passei uma fase exclusivamente MPB, da qual o Chico Buarque e o Vínicius de Morais me persistem, acabei por ir parar à Marisa Monte e ao seu cd rosa e carvão. Então no mecanismo compensatório habitual, no exame mais difícil, ou no fim dos exames eu fazia a minha incursão às lojas de vendas de cds para comprar um ou dois daqueles que mais se salientaram.
Não, nada de centros comerciais, a fnac foi uma bênção (?) tardia. Antes eu ia mesmo à baixa à tubitek e ainda a uma loja que ficava na 31 de janeiro, cujo nome não me recordo.
E depois passar do cd comprado para a k7 que ouviria no walkman e no meu Peugeot 205 era uma nova fase de deleite. Estar na sala a gravar a k7 com todas as músicas do cd e depois gravar outras com os mix de músicas preferidas e/ou temáticas, era puro prazer. Ainda hoje adoro a sensação de tirar o plástico tranparente de um cd e ficar no sofá a acompanhar as músicas com o livrinho.

Bem, Marisa Monte tem uma grande voz. Hoje em dia não a ouço muito, pois o seu percurso foi-se distanciando do que eu ouvi no rosa e carvão. Ainda a segui de perto por outros álbuns como o: Marisa Monte; o Mais e o Barulhinho Bom, mas depois perdi-lhe o rasto e zanguei-me com ela definitivamente quando a ouvi na muito batida música dos tribalistas, cujo refrão (amor I love u) me irrita solenemente por achar: 1) que a MM é melhor que aquilo; 2) que é muito piroso 3) que igualmente piroso é o sucedâneo brasileiro do nosso Vitor Espadinha que narra na música uma série de coisas tão pirosas como o refrão.

Desta Marisa Monte antiga que tem uma voz muito bonita (mais bonita ao vivo...sim também a vi no coliseu) deixo este "ao meu redor" que é a descrição na medida certa da presença de uma ausência.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Playing on my head's radio #496



__________________________________

Tal como o próprio grupo, também eu gostei muito da aliteração do nome Franz Ferdinand, o que me despertou o interesse pela música.
Gosto muito desta banda escocesa formada numa cidade que também me trás recordações do meu Erasmus: Glasgow.
Um dia tive um episódio engraçado de "diz-me o que ouves, dir-te-ei quem és" com um aluno numas aulas laboratoriais. No fim das aulas era costume os alunos colocarem a pen no pc da sala para trabalharem nos dados obtidos e ao ajudar um dos alunos vi a pen carregadinha de Franz Ferdinand. Perguntei-lhe se gostava e disse-me que era o seu grupo preferido. Senti que fazia sentido com a personalidade dele e ri-me internamente num matching game mental de atribuir a cada um dos alunos que eu ia conhecendo melhor, as suas bandas favoritas.

Esta música, não tão conhecida como o "take me out" é uma boa banda sonora para uma dança desenfreada ou para uma corrida valente no tapete do ginásio. Tudo o que me apetecia fazer e não posso.
Fica a imagem mental do bom que seria poder.

Musica que passava no meu Peugeot 205 #4



_________________________________________

Esta música cheira mesmo a juventude e a cantorias desafinadas no carro, com os vidros fechados. E a eufóricos momentos em que baixava a capota e sentia uma pequena invencibilidade a despentear-me os cabelos.
Here comes your man dos Pixies.
Costumava pensar...onde é que ele está que eu não o vejo?
Na verdade eu tinha um na altura, mas estava sempre a pensar que surgiria outro, o verdadeiro.

sábado, 5 de maio de 2012

Musica que passava no meu Peugeot 205 #3



___________________________________


Só mais esta. Não resisti.
Joy Division também passava.

Música que passava no meu Peugeot 205 #2


___________________________

Já ando em modo de Tabu, a recordar o meu tempo.
A recordar o Concerto do Peter Murphy no Coliseu e a recordar Bauhaus que ouvia non stop no peugeot, som vindo das famosas K7s, com o charme da fita gasta que de vez em quando arranhava e distorcia um pouco a voz.

suspiro e retirada de cena para trabalhar

Música que passava no meu peugeot 205 #1


______________________________


quarta-feira, 2 de maio de 2012

Azeitonas mas não azeiteiros


_____________________

Ouvi os azeitonas pela primeira vez num concerto de carnaval no Indústria há...4 anos talvez. E gostei muito. Hoje quando lamentava para mim mesma o facto de não me sair o euromilhões (mesmo assim sem jogar) para andar de aviões a conhecer o mundo lembrei-me desta música tão bonita.

Do facebook e outros demónios

Mais uma razão para eu não ter conta no facebook