quarta-feira, 16 de maio de 2012

O mundo do fim do mundo de Luís Sepúlveda

Este livro não tem nada de interessante a assinalar. A não ser a recordação de quem mo deu. Marco Mirinha, um rapaz idealista, biólogo, amante da serra da ossa e exímio a tirar fotografias à natureza. E nesse sentido fez todo o sentido (mesmo assim de forma redundante) rele-lo. Caiu-me da estante e vi na primeira página um autógrafo do próprio Luís Sepúlveda que encontrei numa das suas vindas a Portugal, já não sei se à FNAC ou a uma feira do livro. Sinceramente não sei por que motivo eu tinha o livro comigo e por que motivo me dispus a estar na fila à espera de um autógrafo do Luís Sepúlveda. Toda a situação é-me tão estranha e inverosímel que me soa a um sonho, que só percebo não ser fruto da minha imaginação, quando leio a dedicatória da qual também não entendo o contexto:

Para Marlene, con mis mejores deseos
Para la lucha que continua
y vale la pena luchar

Não sei que terei dito eu a Luís Sepúlveda. Ou se o facto de o mundo no fim do mundo, um livro sobre a luta da causa quase perdida de defesa da caça das baleias, tenha dado o mote para uma mensagem de esperança e de combate. Ou se eu terei dito algo sobre mim e certamente sobre algum período difícil que atravessava. E assim faz sentido esta mensagem que me caiu da estante.
Não sou nada crente, mas há alturas da vida que é preciso acreditar, nem que seja por mera necessidade. E por isso quero acreditar que o Marco Mirinha (porque é que eu deixo estas pessoas desaparecerem da minha vida) ou o Luís Sepúlveda nas suas formas aguerridas de lutarem para defenderem a natureza e os seus ideais me estejam a querer empurrar para a determinação de uma luta. Porque um ideal é sempre um ideal. No fim do mundo, na serra da ossa, ou dentro de nós.

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